O CPC 00 (R2), denominado Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro, estabelece os fundamentos teóricos que orientam a elaboração e a apresentação das demonstrações contábeis de propósito geral. Trata-se de um documento essencial para a compreensão da lógica que sustenta as normas contábeis brasileiras alinhadas às IFRS, servindo como base conceitual para o desenvolvimento de novos pronunciamentos e para a aplicação consistente daqueles já existentes.
É importante destacar que a Estrutura Conceitual não é uma norma contábil. Ela não define procedimentos obrigatórios de reconhecimento ou mensuração, nem substitui os pronunciamentos técnicos específicos. Seu papel é fornecer conceitos, princípios e definições que auxiliam na interpretação e aplicação das normas contábeis, especialmente em situações em que não exista orientação normativa específica.
1) Finalidade e papel da Estrutura Conceitual
📲 Canal Oficial do Dicionário do Concurseiro no WhatsApp
Receba resumos, questões comentadas e novidades diretamente no seu celular!
👉 Acessar Canal no WhatsApp💡 Conteúdo exclusivo para concurseiros. Totalmente gratuito!
A Estrutura Conceitual tem como principal finalidade fornecer um arcabouço conceitual coerente e consistente que sustente a elaboração das normas contábeis e a preparação das demonstrações financeiras. Ela cumpre, essencialmente, três funções centrais.
- Auxiliar o desenvolvimento e a revisão de pronunciamentos contábeis pelo CPC;
- Orientar os preparadores das demonstrações contábeis na definição de políticas contábeis quando não houver norma específica;
- Ajudar usuários, auditores e demais interessados a compreender e interpretar as normas contábeis.
Em concursos públicos, é recorrente a cobrança do entendimento de que, havendo conflito entre um pronunciamento contábil específico e a Estrutura Conceitual, prevalece o pronunciamento. A Estrutura atua como referência conceitual, e não como norma hierarquicamente superior.
2) Objetivo do relatório financeiro para fins gerais
O objetivo do relatório financeiro para fins gerais é fornecer informações financeiras úteis sobre a entidade que reporta, de modo a auxiliar investidores, credores por empréstimos e outros credores, atuais ou potenciais, na tomada de decisões relacionadas ao fornecimento de recursos à entidade.
Essas decisões envolvem avaliar a capacidade da entidade de gerar fluxos de caixa futuros, bem como a eficiência e a eficácia da administração na utilização dos recursos econômicos sob sua responsabilidade. Dessa forma, o relatório financeiro deve fornecer informações sobre:
- Os recursos econômicos da entidade e as reivindicações contra ela;
- As mudanças nesses recursos e reivindicações ao longo do tempo;
- O desempenho financeiro da entidade no período.
A Estrutura Conceitual enfatiza que os relatórios financeiros são elaborados com base no regime de competência, e não apenas em fluxos de caixa, permitindo uma avaliação mais adequada do desempenho econômico da entidade.
3) Características qualitativas da informação financeira útil
Para que a informação financeira seja útil, ela deve possuir determinadas características qualitativas. Essas características são classificadas em fundamentais e de melhoria.
3.1 Características qualitativas fundamentais
As características fundamentais são aquelas sem as quais a informação não é considerada útil.
- Relevância: a informação é relevante quando é capaz de influenciar decisões econômicas. Está associada ao valor preditivo, ao valor confirmatório e ao conceito de materialidade.
- Representação fidedigna: a informação deve representar adequadamente os fenômenos econômicos, sendo completa, neutra e livre de erros materiais.
3.2 Características qualitativas de melhoria
As características de melhoria aumentam a utilidade da informação que já é relevante e fidedigna.
- Comparabilidade;
- Verificabilidade;
- Tempestividade;
- Compreensibilidade.
A Estrutura Conceitual também reconhece a restrição de custo, segundo a qual os benefícios da informação devem justificar os custos de sua produção e divulgação.
4) Entidade que reporta e demonstrações contábeis
A entidade que reporta é aquela para a qual existem usuários que dependem de demonstrações contábeis para obter informações financeiras. Ela pode ser uma entidade individual, um grupo econômico ou até um conjunto de entidades, desde que exista um interesse econômico comum.
As demonstrações contábeis são elaboradas com base na premissa da continuidade operacional, pressupondo que a entidade continuará em funcionamento no futuro previsível. Caso essa premissa não seja válida, tal fato deve ser divulgado.
5) Elementos das demonstrações contábeis
A Estrutura Conceitual define os elementos básicos que compõem as demonstrações contábeis.
- Ativo: recurso econômico presente controlado pela entidade, resultante de eventos passados;
- Passivo: obrigação presente da entidade de transferir um recurso econômico, resultante de eventos passados;
- Patrimônio líquido: interesse residual nos ativos da entidade após a dedução de todos os passivos;
- Receitas: aumentos no patrimônio líquido que não decorrem de aportes dos proprietários;
- Despesas: reduções no patrimônio líquido que não decorrem de distribuições aos proprietários.
6) Reconhecimento e desreconhecimento
O reconhecimento consiste na inclusão de um item que atenda à definição de elemento das demonstrações contábeis, desde que isso resulte em informação relevante e com representação fidedigna.
O desreconhecimento ocorre quando um ativo ou passivo deixa de atender à sua definição, como na perda de controle de um ativo ou na extinção de uma obrigação.
7) Mensuração
Mensuração é o processo de atribuição de valores monetários aos elementos das demonstrações contábeis. A Estrutura Conceitual descreve diversas bases de mensuração, entre as quais se destacam:
- Custo histórico;
- Valor justo;
- Valor em uso e valor de cumprimento;
- Custo corrente.
A escolha da base de mensuração deve considerar a relevância da informação e a capacidade de representação fidedigna.
8) Apresentação e divulgação
A apresentação e a divulgação devem comunicar a informação financeira de forma clara e eficaz. A Estrutura Conceitual orienta quanto à classificação adequada, agregação e desagregação de informações, consistência de apresentação e vedação à compensação indevida.
As notas explicativas complementam as demonstrações contábeis e devem fornecer informações suficientes para a compreensão dos valores apresentados.
9) Capital e manutenção de capital
A Estrutura Conceitual trata dos conceitos de capital financeiro e capital físico, bem como dos critérios de manutenção do capital. O conceito adotado influencia a apuração do lucro e a forma como o desempenho da entidade é avaliado.
Na prática, as normas contábeis utilizam predominantemente o conceito de manutenção do capital financeiro.
IMPORTANTE (Disclaimer)
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educacional, voltado ao estudo para concursos públicos. O texto não substitui a leitura do Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2) oficial nem constitui orientação profissional, contábil, auditorial ou consultiva.
Para aplicação prática, devem ser consultados os textos oficiais emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis e as normas vigentes aplicáveis ao caso concreto.
Descubra mais sobre Dicionário do Concurseiro
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

