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Resumo Português: Tipos de Sujeito — Simples, Composto, Oculto, Indeterminado e Inexistente

O domínio dos tipos de sujeito é um dos pilares fundamentais para quem se prepara para concursos públicos. As bancas examinadoras — especialmente CESPE/Cebraspe, FCC, FGV e VUNESP — exploram com frequência a identificação e a classificação do sujeito oracional, exigindo do candidato não apenas a memorização de definições, mas a capacidade de analisar frases com estruturas diversas e reconhecer armadilhas gramaticais. Este resumo apresenta os cinco tipos de sujeito previstos pela gramática normativa, com exemplos contextualizados, tabela comparativa, orientações práticas para provas e questões comentadas.

Conceito de Sujeito

O sujeito é o termo da oração sobre o qual o predicado diz algo. Do ponto de vista sintático, é o constituinte com o qual o verbo concorda em número e pessoa. Em termos semânticos, o sujeito geralmente indica o ser ou coisa que pratica, recebe ou sobre o qual se afirma algo. A identificação do sujeito parte, normalmente, de duas perguntas básicas feitas ao verbo: “Quem?” ou “O quê?”.

É importante diferenciar sujeito de agente: o sujeito é um conceito sintático, enquanto o agente é semântico. Nas vozes passivas, o sujeito sintático é o paciente da ação, não quem a pratica. Essa distinção é frequentemente explorada em provas de alto nível.

O sujeito pode estar expresso ou oculto, determinado ou indeterminado, e, em certos casos, a oração simplesmente não possui sujeito — situação conhecida como oração sem sujeito ou sujeito inexistente.

Sujeito Simples

O sujeito simples é aquele que possui um único núcleo, independentemente de quantos termos acompanhem esse núcleo. O núcleo do sujeito é sempre um substantivo, pronome, numeral ou palavra substantivada. A presença de adjuntos adnominais, orações adjetivas ou locuções não transforma o sujeito em composto.

Exemplos com análise:

  • A professora de matemática chegou atrasada. — sujeito: “A professora de matemática”; núcleo: “professora”; “de matemática” é adjunto adnominal.
  • Os candidatos aprovados na primeira fase serão convocados. — sujeito: “Os candidatos aprovados na primeira fase”; núcleo: “candidatos”.
  • Ninguém respondeu à questão. — sujeito: “Ninguém” (pronome indefinido, núcleo único).
  • Estudar é fundamental para o sucesso. — sujeito oracional: “Estudar”; o verbo no infinitivo funciona como substantivo.
  • Vinte servidores foram nomeados. — sujeito: “Vinte servidores”; núcleo: “servidores”.

O sujeito simples pode ser constituído por um pronome de tratamento (“Vossa Excelência assinou o documento”), por um coletivo (“A equipe concluiu o projeto”), ou por uma oração substantiva subjetiva (“Que ele venha é necessário”). Em todos esses casos, há apenas um núcleo.

A principal dúvida relacionada ao sujeito simples ocorre quando se trata de núcleo coletivo: o coletivo, mesmo referindo-se a vários indivíduos, é semanticamente singular e exige verbo no singular. “A turma saiu cedo.” — verbo no singular, pois o núcleo “turma” é coletivo. Exceção: quando o coletivo vem acompanhado de adjunto que o pluraliza e há afastamento entre sujeito e verbo, algumas gramáticas aceitam a concordância no plural por silepse de número.

Sujeito Composto

O sujeito composto possui dois ou mais núcleos. Esses núcleos são ligados por conjunções coordenativas (principalmente aditivas como “e”, “nem”, e alternativas como “ou”) ou por vírgula com valor aditivo. A presença de sujeito composto, em geral, exige verbo no plural, embora existam regras específicas de concordância que flexibilizam essa obrigatoriedade.

Exemplos com análise:

  • O diretor e a secretária assinaram o ofício. — núcleos: “diretor” e “secretária”.
  • Coragem, disciplina e dedicação fazem um bom servidor. — três núcleos ligados por vírgula e conjunção.
  • Nem Pedro nem Paulo compareceu/compareceram à reunião. — com “nem… nem”, o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo ou ir para o plural.
  • A inflação ou o desemprego preocupa/preocupam a população. — com “ou” de exclusão, o verbo pode ficar no singular.

Atenção: quando os núcleos do sujeito composto vêm pospostos ao verbo (depois do verbo), a concordância pode ser feita com o núcleo mais próximo (concordância por atração). Exemplo: “Chegou o delegado e seus assistentes” — aceito pela gramática normativa.

Outra situação importante: quando os núcleos do sujeito composto se referem a uma mesma pessoa ou coisa, o verbo pode ficar no singular. “O pai e chefe de família precisa de apoio.” — o verbo concorda no singular porque “pai” e “chefe de família” se referem à mesma pessoa. Bancas costumam testar essa regra em questões sobre concordância verbal.

Sujeito Oculto, Elíptico ou Desinencial

O sujeito oculto (também chamado de elíptico, implícito ou desinencial) não está expresso na oração, mas pode ser identificado de duas formas: pela desinência verbal (terminação do verbo que indica pessoa e número) ou pelo contexto do período. Trata-se de um recurso estilístico muito comum em português, que evita repetição e confere fluidez ao texto.

Exemplos com identificação:

  • Chegou cedo e não encontrou ninguém. — o sujeito de “chegou” e “encontrou” é identificado pelo contexto (ele/ela).
  • Estudamos toda a noite para a prova. — desinência “-mos” indica 1ª pessoa do plural: “nós”.
  • Sairás cedo amanhã? — desinência “-rás” indica 2ª pessoa do singular: “tu”.
  • Depois de anos de esforço, conquistou a vaga dos sonhos. — sujeito recuperado pelo contexto.

O sujeito oculto é determinado — mesmo não estando expresso, sabe-se exatamente a que ser se refere. Isso o distingue do sujeito indeterminado, que é, por definição, desconhecido ou deliberadamente não identificado.

Em provas, a distinção entre sujeito oculto e sujeito indeterminado é frequentemente testada. O critério definitivo: se for possível identificar o sujeito (pela desinência verbal ou pelo contexto imediato), trata-se de sujeito oculto. Se não houver qualquer forma de identificação, o sujeito é indeterminado.

Sujeito Indeterminado

O sujeito indeterminado ocorre quando não se quer, não se pode ou não é relevante identificar o agente da ação. O falante opta por não revelar quem pratica o ato, seja por desconhecimento, seja por estratégia discursiva. A gramática normativa reconhece dois principais recursos para indeterminar o sujeito.

Verbo na 3ª Pessoa do Plural sem Sujeito Expresso

Quando o verbo está na 3ª pessoa do plural e não há sujeito expresso nem identificável no contexto, o sujeito é considerado indeterminado. Essa construção transmite a ideia de “pessoas em geral” ou “alguém” indefinido.

Exemplos:

  • Disseram que haverá greve amanhã. — não se sabe quem disse.
  • Roubaram minha carteira no metrô. — o agente é desconhecido.
  • Pediram silêncio durante a prova. — quem pediu não está identificado.

Atenção: se houver um sujeito expresso ou identificável pelo contexto, o verbo no plural não caracteriza sujeito indeterminado — trata-se de sujeito oculto ou de concordância normal com sujeito composto.

Verbo na 3ª Pessoa do Singular + “Se” como Índice de Indeterminação

O pronome “se”, quando funciona como índice de indeterminação do sujeito (IIS), acompanha verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação na 3ª pessoa do singular. Essa é uma das construções mais cobradas em provas de concurso, pois exige a distinção entre “se” indeterminador e “se” apassivador.

Exemplos de sujeito indeterminado com “se”:

  • Precisa-se de engenheiros. — “precisar de” é transitivo indireto; “se” é IIS; sujeito indeterminado.
  • Vive-se bem nesta cidade. — “viver” é intransitivo; “se” é IIS.
  • Confia-se em líderes honestos. — “confiar em” é transitivo indireto; “se” é IIS.

Distinção Entre “Se” Apassivador e “Se” Indeterminador

Critério “Se” Apassivador (Partícula Apassivadora) “Se” Indeterminador (IIS)
Tipo de verbo Transitivo direto (VTD) Intransitivo, transitivo indireto ou de ligação
Concordância verbal Com o sujeito paciente (varia em número) Sempre 3ª pessoa do singular
Sujeito Determinado (sujeito paciente expresso) Indeterminado
Exemplo Vendem-se casas. / Vende-se casa. Precisa-se de funcionários.
Transformação para passiva analítica Possível: “Casas são vendidas.” Impossível: não há sujeito paciente

Oração sem Sujeito — Sujeito Inexistente

Nas orações sem sujeito, o predicado não se refere a nenhum ser ou coisa. Os verbos são chamados de impessoais e não admitem sujeito — nem expresso, nem oculto, nem indeterminado. Por serem impessoais, ficam sempre na 3ª pessoa do singular.

1. Verbo HAVER no sentido de existência ou de tempo decorrido:

  • Há muitos candidatos inscritos. (existência) — errado dizer “Têm muitos candidatos”.
  • Há dois anos não o vejo. (tempo decorrido).
  • Havia filas imensas na agência. — “havia”, não “haviam”.

O verbo “ter” no sentido de existência é coloquial e não deve ser usado na norma culta escrita. “Tem muita gente aqui” é incorreto; o correto é “Há muita gente aqui”.

2. Verbo FAZER indicando tempo decorrido ou fenômeno atmosférico:

  • Faz três meses que ele partiu. (tempo) — impessoal, singular.
  • Fazia muito calor naquela tarde. (fenômeno atmosférico).

3. Verbo SER indicando hora, data ou tempo:

  • São duas horas. — o verbo concorda com o numeral.
  • É meio-dia. / Era primeiro de junho.

4. Verbos de fenômenos naturais:

  • Choveu muito durante a semana.
  • Nevou nas serras do Sul.

Atenção: quando usados em sentido figurado, esses verbos admitem sujeito. Ex: “Choveram reclamações na ouvidoria.” — “reclamações” é o sujeito; o verbo vai para o plural.

Tabela Comparativa de Todos os Tipos

Tipo de Sujeito Definição Está expresso? É identificável? Exemplo
Simples Um único núcleo Geralmente sim Sim O fiscal aplicou a prova.
Composto Dois ou mais núcleos Geralmente sim Sim João e Maria passaram no concurso.
Oculto / Elíptico Não expresso, mas identificável Não Sim (contexto ou desinência) Estudei a noite toda. (eu)
Indeterminado Não identificado intencionalmente Não Não Ligaram para a delegacia. / Precisa-se de ajuda.
Inexistente (sem sujeito) Não existe sujeito na oração Não Não se aplica Há vagas disponíveis. / Choveu ontem.

Erros Clássicos em Prova

Erro 1 — Confundir sujeito oculto com sujeito indeterminado. O sujeito oculto é determinado — sabe-se quem é. O indeterminado é, por definição, não identificado. “Chegamos cedo.” tem sujeito oculto “nós”. “Disseram que vai chover.” tem sujeito indeterminado.

Erro 2 — Considerar “vagas” como sujeito em “Há vagas”. “Haver” impessoal não tem sujeito. “Vagas” é objeto direto do verbo “haver”. Por isso, o verbo permanece no singular, mesmo com “vagas” no plural.

Erro 3 — Usar “têm” no lugar de “há” em frases de existência. Construções como “Têm muitas pessoas aqui” são coloquiais e incorretas na norma culta escrita. O correto é “Há muitas pessoas aqui”.

Erro 4 — Fazer o “se” apassivador concordar errado. Em “Vendem-se imóveis”, o sujeito é “imóveis” (paciente) e o verbo deve estar no plural. A banca frequentemente apresenta construções com erro de concordância nessa estrutura.

Erro 5 — Confundir sujeito composto com sujeito simples de núcleo coletivo. “A comissão avaliou os projetos” tem sujeito simples (núcleo: “comissão”). “A comissão e o presidente avaliaram” tem sujeito composto.

Erro 6 — Atribuir sujeito a verbos de fenômeno natural usados em sentido próprio. “Choveu muito” não tem sujeito. “Choveram propostas” (sentido figurado) tem sujeito “propostas”.

Como Identificar em Prova — Passo a Passo

Passo 1 — Localize o verbo principal da oração. Em períodos compostos, analise cada oração separadamente.

Passo 2 — Verifique se o verbo é impessoal. Se for “haver” (existência/tempo), “fazer” (tempo/fenômeno), “ser” (hora/data) ou verbo de fenômeno natural (no sentido próprio), a oração não tem sujeito.

Passo 3 — Pergunte “Quem?” ou “O quê?” ao verbo. Se houver resposta possível, há sujeito.

Passo 4 — O sujeito está expresso? Se sim: identifique o núcleo. Um núcleo = simples; dois ou mais = composto.

Passo 5 — Se não estiver expresso: é possível identificá-lo pela desinência verbal ou pelo contexto? Se sim, é oculto/elíptico. Se não, é indeterminado.

Passo 6 — Há “se” na oração? Determine se é IIS (verbo intransitivo ou transitivo indireto, sujeito indeterminado) ou partícula apassivadora (verbo transitivo direto, voz passiva sintética). Tente transformar para a voz passiva analítica: se for possível, é apassivador.

Questões Comentadas

Questão 1 — CESPE/Cebraspe

“Precisa-se de servidores comprometidos com o serviço público.”

A banca afirma que o sujeito da oração é “servidores comprometidos com o serviço público”. Essa afirmação é ERRADA.

Comentário: O verbo “precisar” é transitivo indireto (precisar de algo). O pronome “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito (IIS). O sujeito da oração é indeterminado, e “de servidores comprometidos com o serviço público” é objeto indireto do verbo “precisar”. O verbo permanece na 3ª pessoa do singular independentemente do número do complemento.

Questão 2 — FCC

Assinale a alternativa em que o “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito:

a) “Alugam-se apartamentos neste edifício.”
b) “Precisa-se de médicos nas UBS da cidade.”
c) “Construíram-se novas pontes sobre o rio.”
d) “Vendem-se ingressos na bilheteria.”

Gabarito: B. Nas alternativas A, C e D, o verbo é transitivo direto e o “se” é partícula apassivadora — há voz passiva sintética, com sujeito paciente determinado. Na alternativa B, “precisar de” é transitivo indireto; logo, o “se” é IIS e o sujeito é indeterminado.

Questão 3 — CESPE/Cebraspe

“Havia centenas de documentos a ser analisados pela comissão.”

A banca afirma que o sujeito da oração é “centenas de documentos”. Essa afirmação é ERRADA.

Comentário: O verbo “haver” no sentido de existência é impessoal — não possui sujeito. “Centenas de documentos” é objeto direto do verbo “haver”. Por isso, o verbo permanece no singular (“havia”), ainda que o objeto seja plural.

Questão 4 — FGV

Identifique o tipo de sujeito em: “Saíram cedo e não avisaram ninguém.”

Gabarito: Sujeito indeterminado. O verbo está na 3ª pessoa do plural (“saíram”, “avisaram”), mas não há sujeito expresso nem identificável pelo contexto. A frase transmite a ideia de “alguém”, “pessoas desconhecidas”. Não se trata de sujeito oculto, pois não há como recuperar o agente pelo contexto ou pela desinência verbal. A indeterminação é intencional.

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