Entre os temas de Língua Portuguesa mais cobrados em concursos públicos, os complementos verbais e o complemento nominal figuram com destaque especial. Bancas como CESPE/CEBRASPE, FCC, VUNESP e CESGRANRIO recorrentemente elaboram questões que exigem do candidato a capacidade de identificar e distinguir o Objeto Direto, o Objeto Indireto, o Complemento Nominal e o Agente da Passiva dentro de frases e períodos. O domínio desses termos acessórios e integrantes da oração não apenas garante pontos na prova de língua portuguesa, mas também auxilia na interpretação gramatical de textos complexos exigidos em provas de nível médio, técnico e superior. Este artigo apresenta uma análise detalhada de cada um desses termos, com exemplos práticos, tabelas comparativas e questões comentadas para consolidar o aprendizado.
Objeto Direto
O Objeto Direto (OD) é o complemento que completa o sentido de um verbo transitivo direto sem o auxílio de preposição. Em outros termos, o verbo transitivo direto exige um complemento que se liga a ele de forma direta, sem mediação de preposição obrigatória. A forma mais prática de identificar o OD é por meio das perguntas “o quê?” ou “quem?” feitas ao verbo, levando-se em conta o sujeito e a ação expressa.
Exemplos básicos de Objeto Direto:
- O aluno leu o edital. — “o edital” responde à pergunta “o aluno leu o quê?”, portanto é OD.
- A professora elogiou os candidatos. — “os candidatos” responde a “a professora elogiou quem?”, sendo OD.
- Ela comprou um apartamento. — “um apartamento” é OD do verbo “comprou”.
Objeto Direto Preposicionado
Existe uma categoria especial chamada Objeto Direto Preposicionado (ODP), que ocorre quando o OD vem precedido de preposição, embora o verbo seja transitivo direto. Isso acontece por razões estilísticas, afetivas ou idiomáticas, e a preposição nesse caso não é exigida pelo verbo, mas sim inserida por questão de uso. O verbo continua sendo transitivo direto, e o complemento pode ser substituído por pronome oblíquo átono (o, a, os, as).
- Amo a minha mãe. / Amo-a. — preposição facultativa; “a minha mãe” é OD preposicionado.
- Não vi a ninguém na sala. — “a ninguém” é OD preposicionado (pronome indefinido com preposição afetiva).
- Ela beija ao filho toda manhã. — “ao filho” é OD preposicionado.
O critério decisivo para diferenciar o OD preposicionado do Objeto Indireto é a possibilidade de substituição: se o complemento puder ser substituído por o/a/os/as, trata-se de OD preposicionado; se a substituição exigir lhe/lhes, trata-se de Objeto Indireto.
Objeto Indireto
O Objeto Indireto (OI) é o complemento que completa o sentido de um verbo transitivo indireto por meio de preposição obrigatória. Diferentemente do OD preposicionado, no OI a preposição é exigida pela regência do próprio verbo. As preposições mais comuns que introduzem o OI são: a, de, em, para e com. A pergunta-teste para identificar o OI é “a quem?”, “de quem?”, “para quê?” ou “em quê?”, conforme o verbo em questão.
Exemplos de Objeto Indireto:
- Ele gostou do livro. — “do livro” (de + o livro) é OI do verbo “gostar”, que é transitivo indireto.
- A candidata precisava de mais tempo. — “de mais tempo” é OI do verbo “precisar”.
- O servidor obedeceu à ordem. — “à ordem” (a + a ordem) é OI do verbo “obedecer”.
- Ela se lembrou do aniversário. — “do aniversário” é OI do verbo “lembrar-se”.
Objeto Indireto versus Adjunto Adverbial
Um dos erros mais comuns em provas é confundir o Objeto Indireto com o Adjunto Adverbial, ambos introduzidos por preposição. A diferença fundamental é que o OI é um complemento obrigatório — sem ele, o sentido do verbo fica incompleto —, enquanto o Adjunto Adverbial é uma circunstância que pode ser suprimida sem comprometer a estrutura da oração.
- Ele gostou do livro. — “do livro” é OI: sem esse complemento, “Ele gostou” fica incompleto semanticamente.
- Ele falou do livro. — “do livro” aqui é Adjunto Adverbial de assunto. O verbo “falar” (no sentido de discursar) é intransitivo; “do livro” indica sobre o quê se falou, acrescentando uma circunstância, não completando a transitividade verbal.
O teste prático: tente retirar o complemento. Se a oração perder o sentido ou ficar gramaticalmente incompleta em relação à regência do verbo, é OI. Se o verbo for plenamente compreendido sem o termo, é Adjunto Adverbial.
Objeto Direto versus Objeto Indireto: Tabela Comparativa
A tabela a seguir apresenta os principais verbos transitivos e a exigência de seus complementos, incluindo os verbos bitransitivos, que pedem simultaneamente OD e OI:
| Verbo | Transitividade | Complemento exigido | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Amar | Transitivo Direto | OD (sem preposição) | Ela ama o trabalho. |
| Ver | Transitivo Direto | OD (sem preposição) | Ele viu o resultado. |
| Gostar | Transitivo Indireto | OI (de + complemento) | Ela gostou do concurso. |
| Precisar | Transitivo Indireto | OI (de + complemento) | Ele precisa de apoio. |
| Obedecer | Transitivo Indireto | OI (a + complemento) | O servidor obedeceu à lei. |
| Informar | Bitransitivo | OD + OI | O chefe informou o fato aos funcionários. |
| Dar | Bitransitivo | OD + OI | Ela deu o presente ao colega. |
| Pedir | Bitransitivo | OD + OI | O aluno pediu uma explicação ao professor. |
| Dizer | Bitransitivo | OD + OI | Ela disse a verdade ao diretor. |
| Comunicar | Bitransitivo | OD + OI | O servidor comunicou a decisão aos colegas. |
Nos verbos bitransitivos, é importante identificar corretamente qual complemento é o OD e qual é o OI. O OD responde “o quê?” e não tem preposição obrigatória; o OI responde “a quem?” ou “para quem?” e vem introduzido por preposição exigida pelo verbo.
Complemento Nominal
O Complemento Nominal (CN) é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) por meio de preposição. Diferentemente do Objeto Indireto, que completa o sentido de um verbo, o CN completa o sentido de uma palavra de natureza nominal. A confusão entre os dois é frequente em provas, exatamente porque ambos são introduzidos por preposição.
Palavras que costumam exigir Complemento Nominal:
- Substantivos: necessidade (de), amor (a/por), medo (de), fé (em), respeito (a/por), confiança (em), capacidade (de), desejo (de).
- Adjetivos: favorável (a), contrário (a), apto (a), digno (de), fiel (a), semelhante (a), acostumado (a/com), nocivo (a), útil (a).
- Advérbios: favoravelmente (a), contrariamente (a), proximamente (de).
Exemplos de Complemento Nominal:
- Ele tem necessidade do livro. — “do livro” é CN do substantivo “necessidade”.
- A proposta é favorável ao projeto. — “ao projeto” é CN do adjetivo “favorável”.
- Ele age contrariamente às normas. — “às normas” é CN do advérbio “contrariamente”.
- O candidato demonstrou amor à profissão. — “à profissão” é CN do substantivo “amor”.
Complemento Nominal versus Objeto Indireto
A distinção entre CN e OI é um dos pontos mais explorados pelas bancas. O critério principal é simples: o OI completa um verbo; o CN completa um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio). Observe:
- Ele gosta de música. — “de música” é OI, pois completa o verbo “gostar”.
- Ele tem gosto por música. — “por música” é CN, pois completa o substantivo “gosto”.
- O aluno precisa de auxílio. — “de auxílio” é OI do verbo “precisar”.
- O aluno sente necessidade de auxílio. — “de auxílio” é CN do substantivo “necessidade”.
Uma dica adicional: quando o complemento preposicionado puder ser substituído por pronome oblíquo lhe ou lhes, trata-se de OI. Quando não admitir essa substituição e estiver completando um nome, trata-se de CN.
Agente da Passiva
O Agente da Passiva (AP) é o termo da oração que, nas construções em voz passiva analítica, indica quem pratica a ação expressa pelo verbo. Na voz ativa, esse elemento seria o sujeito; na voz passiva, ele é deslocado para a posição de complemento e passa a ser introduzido por preposição. O AP é um termo integrante da oração — não pode ser confundido com adjunto adverbial nem com Objeto Indireto.
Construção da Voz Passiva e o Agente da Passiva
A voz passiva analítica é formada pela estrutura: sujeito paciente + verbo auxiliar (ser) + particípio do verbo principal + preposição + agente da passiva. As preposições que introduzem o AP são, em ordem de frequência:
- por/pelo/pela/pelos/pelas: a mais comum e aceita em qualquer registro.
- de: usada em linguagem literária e em situações em que o sentido é de estado resultante ou sentimento, como em “Ela era amada de todos” ou “O professor era respeitado dos alunos”.
Exemplos de Agente da Passiva:
- Voz ativa: O governador assinou o decreto.
- Voz passiva: O decreto foi assinado pelo governador. — “pelo governador” é o AP.
- Voz ativa: Todos os colegas admiravam a servidora.
- Voz passiva: A servidora era admirada por todos os colegas. — “por todos os colegas” é o AP.
- Voz ativa: O público recebeu o cantor com entusiasmo.
- Voz passiva: O cantor foi recebido pelo público com entusiasmo. — “pelo público” é o AP; “com entusiasmo” é Adjunto Adverbial.
Atenção: nem toda oração na voz passiva apresenta Agente da Passiva explícito. Quando o agente não está mencionado, diz-se que a oração tem AP indeterminado ou oculto. Exemplo: O edital foi publicado ontem. — não há AP expresso.
Tabela Síntese dos Termos Integrantes
| Termo | O que é | Como identificar | Preposição | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| Objeto Direto | Complemento de verbo transitivo direto | Perguntar “o quê?” ou “quem?” ao verbo | Sem preposição (ou facultativa) | Ela leu o edital. |
| Objeto Indireto | Complemento de verbo transitivo indireto | Perguntar “a quem?”, “de quê?”, “para quê?” ao verbo | Obrigatória (a, de, em, para, com) | Ele gostou do resultado. |
| Complemento Nominal | Complemento de substantivo, adjetivo ou advérbio | Verificar se o núcleo é um nome (não verbo) | Obrigatória (de, a, por, em, com) | Tem necessidade de apoio. |
| Agente da Passiva | Indica o praticante da ação na voz passiva | Localizar oração passiva com verbo ser + particípio | por/pelo/pela/pelos/pelas ou de | O ato foi assinado pelo diretor. |
Erros Clássicos em Prova
O conhecimento dos erros mais comuns pode ser decisivo na hora de eliminar alternativas e garantir pontos. A seguir, os três principais equívocos cobrados pelas bancas:
1. Confundir Objeto Indireto com Complemento Nominal
Ambos são introduzidos por preposição, mas o OI completa um verbo e o CN completa um nome. Veja:
- Ele necessita de atenção. — “de atenção” é OI do verbo “necessitar”.
- Ele sente necessidade de atenção. — “de atenção” é CN do substantivo “necessidade”.
O erro clássico é classificar como OI um complemento que, na verdade, está vinculado a um substantivo derivado do verbo. Se houver um substantivo como núcleo do sintagma, o complemento é CN.
2. Confundir Objeto Direto com Predicativo do Objeto
Verbos como “considerar”, “eleger”, “nomear”, “chamar” e “julgar” podem ter tanto um OD quanto um Predicativo do Objeto. A diferença é que o OD é o complemento essencial do verbo, enquanto o Predicativo atribui uma qualidade ou estado ao OD.
- O governador nomeou o candidato diretor. — “o candidato” é OD; “diretor” é Predicativo do Objeto.
- Todos o consideraram competente. — “o” (pronome) é OD; “competente” é Predicativo do Objeto.
A banca costuma perguntar a função sintática de um dos dois termos. O erro é classificar o Predicativo do Objeto como segundo OD ou como Adjunto Adnominal.
3. Confundir Agente da Passiva com Objeto Indireto
O AP é introduzido pelas preposições “por” ou “de” e ocorre exclusivamente em orações na voz passiva analítica. O OI também pode ser introduzido por “de” ou “a”, mas ocorre em orações na voz ativa com verbos transitivos indiretos.
- O projeto foi aprovado pelo comitê. — “pelo comitê” é AP (voz passiva com “ser” + particípio).
- O candidato gostou do projeto. — “do projeto” é OI (voz ativa, verbo “gostar”).
A chave é verificar se o verbo está na voz passiva analítica (ser + particípio). Se sim, o complemento introduzido por “por” ou “de” que indica o praticante da ação é AP. Se o verbo estiver na voz ativa, não há AP.
Questoes Comentadas de Concurso
Questao 1 — CESPE/CEBRASPE
Enunciado: Na frase “O laudo foi entregue ao perito pela empresa contratada”, o termo “pela empresa contratada” exerce a funcao de Objeto Indireto.
Gabarito: Errado.
Comentario: O verbo “foi entregue” esta na voz passiva analitica (ser + particípio do verbo “entregar”). O termo “pela empresa contratada” indica o agente que praticou a acao de entregar, sendo, portanto, Agente da Passiva, nao Objeto Indireto. O OI da oracao e “ao perito” (a quem foi entregue). A confusao entre AP e OI e frequente quando ambos aparecem na mesma oracao, pois sao introduzidos por preposicao. O criterio diferenciador e a voz verbal: AP so existe em oracao passiva.
Questao 2 — FCC
Enunciado: Assinale a alternativa em que o termo destacado e Complemento Nominal:
- Ele gostou da decisao do tribunal.
- O servidor demonstrou respeito as normas.
- A comissao necessitava de tempo.
- Todos confiavam no resultado.
Gabarito: Alternativa B.
Comentario: Em (A), “da decisao” e OI do verbo “gostar”. Em (B), “as normas” e CN do substantivo “respeito” — a frase poderia ser reescrita como “respeito pelas normas”, e o nucleo e o nome “respeito”, nao um verbo. Em (C), “de tempo” e OI do verbo “necessitar”. Em (D), “no resultado” e OI do verbo “confiar”. A alternativa B e a unica em que o complemento preposicionado esta ligado a um substantivo (nome), nao a um verbo, configurando Complemento Nominal.
Questao 3 — VUNESP
Enunciado: Em “O diretor informou os funcionarios sobre as novas diretrizes”, identifique o Objeto Direto e o Objeto Indireto do verbo “informar”.
Gabarito: OD = “os funcionarios”; OI = “sobre as novas diretrizes”.
Comentario: O verbo “informar” e bitransitivo e admite duas construcoes: (1) informar alguem de/sobre algo — nesse caso, “alguem” e OD e “de/sobre algo” e OI; (2) informar algo a alguem — aqui, “algo” e OD e “a alguem” e OI. Na frase analisada, “os funcionarios” responde a “o diretor informou quem?” (OD) e “sobre as novas diretrizes” indica o conteudo da informacao (OI). Atencao: bancas frequentemente invertem as funcoes para testar o candidato.
Questao 4 — CESGRANRIO
Enunciado: Analise a frase: “A diretora, admirada por todos os colegas, sente necessidade de reconhecimento.” Os termos “por todos os colegas” e “de reconhecimento” exercem, respectivamente, as funcoes de:
- Objeto Indireto e Complemento Nominal
- Agente da Passiva e Objeto Indireto
- Agente da Passiva e Complemento Nominal
- Adjunto Adverbial e Objeto Indireto
- Objeto Indireto e Agente da Passiva
Gabarito: Alternativa C.
Comentario: O termo “admirada por todos os colegas” e uma oracao reduzida de particípio (ou aposto de particípio), em que o verbo “admirada” esta na voz passiva. Portanto, “por todos os colegas” e Agente da Passiva — indica quem a admira. Ja “de reconhecimento” completa o substantivo “necessidade” (ela sente necessidade de que? de reconhecimento), sendo, portanto, Complemento Nominal. Alternativas que envolvem OI estao erradas porque nao ha verbo transitivo indireto em posicao de nucleo verbal principal para esses complementos.
O estudo sistematico dos complementos verbais e nominal e indispensavel para quem busca aprovacao em concursos publicos. A distincao entre Objeto Direto, Objeto Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva depende, fundamentalmente, de identificar a qual elemento sintatico — verbo ou nome — o complemento esta vinculado, alem de observar a voz verbal e a preposicao utilizada. Com pratica constante e analise de questoes de bancas, o candidato desenvolve a acuidade necessaria para resolver essas questoes com seguranca e agilidade.
PALAVRAS: 2150
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