Resumo Português: Orações Subordinadas — Substantivas, Adjetivas e Adverbiais – Dicionário do Concurseiro Pular para o conteudo

Resumo Português: Orações Subordinadas — Substantivas, Adjetivas e Adverbiais

As orações subordinadas constituem um dos temas mais recorrentes e decisivos nas provas de Língua Portuguesa para concursos públicos. Dominar sua classificação, identificar corretamente cada tipo por meio de perguntas-chave e reconhecer os conectivos característicos é indispensável para quem deseja garantir pontos nessa disciplina. As orações subordinadas se dividem em três grandes grupos: substantivas (funcionam como um substantivo na oração), adjetivas (funcionam como um adjetivo, caracterizando um substantivo) e adverbiais (funcionam como um advérbio, expressando circunstâncias). Cada grupo apresenta subtipos com características próprias, exigidos com frequência pelas bancas CESPE, FCC, VUNESP e FGV.

O Que São Orações Subordinadas

Uma oração subordinada é aquela que exerce função sintática dentro de outra oração — a oração principal. Por exercer essa função, a oração subordinada é sintaticamente dependente da principal e não pode existir de forma autônoma sem perda de sentido ou função gramatical. As orações subordinadas são introduzidas por conjunções subordinativas, pronomes relativos ou se apresentam na forma reduzida (com verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio).

A classificação das orações subordinadas segue o mesmo critério das funções sintáticas clássicas: se a oração funciona como substantivo, é substantiva; se funciona como adjetivo, é adjetiva; se funciona como advérbio, é adverbial. Compreender essa analogia facilita enormemente a identificação correta do tipo de oração em prova.

Orações Subordinadas Substantivas

As orações subordinadas substantivas exercem, dentro do período composto, as mesmas funções sintáticas que um substantivo (ou pronome) exerceria numa oração simples. São introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. A gramática normativa reconhece seis subtipos clássicos, cada um correspondendo a uma função sintática diferente.

Subjetiva

Exerce a função de sujeito da oração principal. Ocorre tipicamente com verbos impessoais, construções de voz passiva ou estruturas do tipo “é + adjetivo”.

É necessário que todos estudem com afinco. — “que todos estudem com afinco” é sujeito de “é necessário”. Pergunta: O quê é necessário? → a oração.

Convém que o servidor esteja presente. — “que o servidor esteja presente” é sujeito de “convém”.

Ficou decidido que a prova seria adiada. — sujeito paciente da voz passiva “ficou decidido”.

Objetiva Direta

Exerce a função de objeto direto da oração principal — complementa o verbo transitivo direto sem preposição.

O candidato deseja que a prova seja adiada. — objeto direto de “deseja”. Pergunta: Deseja o quê? → que a prova seja adiada.

O fiscal perguntou se os candidatos tinham levado o documento. — objetiva direta introduzida por “se”.

Objetiva Indireta

Exerce a função de objeto indireto — complementa o verbo transitivo indireto com preposição. A preposição é exigida pelo verbo.

O fiscal necessita de que os candidatos obedeçam ao regulamento. — objeto indireto de “necessita” (necessitar de algo).

Lembro-me de que você avisou ontem. — objeto indireto de “lembrar-se” (lembrar-se de algo).

Completiva Nominal

Exerce a função de complemento nominal — complementa um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) com preposição. A preposição é exigida pelo nome, não pelo verbo.

Tenho a certeza de que passarei no concurso. — complementa o substantivo “certeza” (certeza de quê?).

Estou certo de que a banca errará a questão. — complementa o adjetivo “certo” (certo de quê?).

Distinção crucial para prova — objetiva indireta vs. completiva nominal: em ambas há preposição, mas o teste é descobrir quem exige a preposição. “Necessito de que me ajudem” → preposição exigida pelo verbo “necessitar”: objetiva indireta. “Tenho necessidade de que me ajudem” → preposição exigida pelo substantivo “necessidade”: completiva nominal.

Predicativa

Exerce a função de predicativo do sujeito — aparece após verbos de ligação e diz algo sobre o sujeito.

O problema é que não há vagas suficientes. — predicativo do sujeito “o problema”.

A verdade é que o candidato se preparou pouco. — predicativo do sujeito “a verdade”.

Apositiva

Exerce a função de aposto — explica ou especifica um termo anterior, geralmente separada por dois-pontos.

Só lhe peço uma coisa: que você seja honesto. — aposto de “uma coisa”.

Tenho um único desejo: que meu filho passe na prova. — aposto de “um único desejo”.

Tabela-Resumo das Orações Subordinadas Substantivas

Tipo Função Sintática Pergunta Identificadora Exemplo
Subjetiva Sujeito O quê? Quem? (ao verbo da principal) É certo que ele vencerá.
Objetiva Direta Objeto Direto O quê? (sem preposição) Ela quer que você volte.
Objetiva Indireta Objeto Indireto De quê? A quê? (preposição exigida pelo verbo) Lembro-me de que estava chovendo.
Completiva Nominal Complemento Nominal De quê? A quê? (preposição exigida pelo nome) Tenho medo de que ele falhe.
Predicativa Predicativo do Sujeito O quê? (após verbo de ligação) O fato é que ele mentiu.
Apositiva Aposto Qual seja: / Isto é: Só quero isso: que você passe.

Orações Subordinadas Adjetivas

As orações subordinadas adjetivas exercem a função de adjunto adnominal de um substantivo (o antecedente) e são introduzidas por pronomes relativos: que, quem, o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, onde, quando, quanto. O pronome relativo retoma o antecedente e estabelece a ligação entre a subordinada e a principal.

Adjetiva Restritiva

A oração adjetiva restritiva delimita, especifica ou restringe o significado do antecedente — sem ela, o sentido da frase muda. Não é separada por vírgulas e tem caráter essencial: indica que, entre todos os seres representados pelo antecedente, apenas aqueles que se encaixam na restrição são contemplados.

Os candidatos que estudaram foram aprovados. — apenas os que estudaram foram aprovados; os outros não. Sem a oração, o sentido muda completamente.

O funcionário que apresentou o relatório receberá elogio. — só aquele funcionário específico receberá o elogio.

Adjetiva Explicativa

A oração adjetiva explicativa acrescenta uma informação acessória, uma característica já conhecida ou inerente ao antecedente. Sempre separada por vírgulas; a informação que traz é dispensável para o sentido central da frase.

Os candidatos, que estudaram, foram aprovados. — todos os candidatos foram aprovados; a informação de que estudaram é acessória (pressuposta ou não determinante).

O Rio de Janeiro, que é uma cidade maravilhosa, recebe milhões de turistas. — explicativa: a beleza do Rio é uma característica já conhecida, não restritiva.

Diferença de Sentido com Exemplo Completo

Restritiva: Os policiais que estavam armados reagiram. — apenas os policiais armados reagiram; os desarmados não.

Explicativa: Os policiais, que estavam armados, reagiram. — todos os policiais reagiram; o detalhe de estarem armados é informação adicional.

A diferença está na vírgula e no impacto sobre o significado. Bancas exploram essa distinção pedindo ao candidato para indicar se a inserção ou retirada de vírgulas ao redor de uma oração adjetiva altera o sentido do texto.

Orações Subordinadas Adverbiais

As orações subordinadas adverbiais exercem a função de adjunto adverbial da oração principal, expressando diversas circunstâncias. São introduzidas por conjunções subordinativas adverbiais. A classificação segue a circunstância que expressam.

Tipo Circunstância Principais Conectivos Exemplo
Causal Causa / motivo porque, visto que, já que, porquanto, como (= porque), uma vez que Como chegou tarde, perdeu a chamada.
Consecutiva Consequência tão…que, tanto…que, tal…que, de modo que, de forma que Estudou tanto que adoeceu.
Condicional Condição / hipótese se, caso, desde que, contanto que, salvo se, a menos que, sem que Se você estudar, passará.
Concessiva Concessão / oposição embora, ainda que, mesmo que, posto que, apesar de que, conquanto Embora estudasse pouco, foi aprovado.
Conformativa Conformidade conforme, segundo, consoante, como (= conforme) Fez tudo conforme o edital determinava.
Comparativa Comparação como, assim como, mais…do que, menos…do que, tanto…quanto Ele correu mais rápido do que eu esperava.
Temporal Tempo quando, enquanto, assim que, logo que, desde que, antes que, depois que Assim que o resultado saiu, comemorou.
Final Finalidade / objetivo para que, a fim de que Estudou para que pudesse ser aprovado.
Proporcional Proporção à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais…mais À medida que estudava, ganhava confiança.

Atenção à conjunção “como” — é polissêmica: pode introduzir oração causal (“Como não havia vagas, desistiu”), conformativa (“Fez como mandou o chefe”) ou comparativa (“Correu como um atleta”). O sentido é determinado pelo contexto.

Atenção à locução “à medida que” vs. “na medida em que” — “à medida que” exprime proporção; “na medida em que” exprime causa ou explicação. Bancas cobram essa distinção com frequência. A forma híbrida “à medida em que” é incorreta.

Atenção: “posto que” — é conjunção concessiva na gramática normativa (= embora), e não causal. Candidatos frequentemente confundem esse conectivo, pois o nome sugere causa. Em provas, siga a norma: “posto que” = concessiva.

Erros Clássicos em Prova

1. Confundir completiva nominal com objetiva indireta. O teste rápido: identifique o termo que exige a preposição. Se for um verbo → objetiva indireta. Se for um nome → completiva nominal. “Gosto de que me elogiem” → objetiva indireta (verbo “gostar de”). “Tenho prazer de que me elogiem” → completiva nominal (substantivo “prazer”).

2. Trocar oração adverbial causal por concessiva. A causal apresenta a causa que provoca o resultado. A concessiva apresenta uma causa que não impediu o resultado — há relação de oposição. “Porque estudou, foi aprovado” (causal). “Embora estudasse pouco, foi aprovado” (concessiva). Bancas perguntam se o sentido foi mantido ao trocar “porque” por “embora”.

3. Confundir adjetiva restritiva com explicativa ao reescrever. Inserir ou retirar vírgulas ao redor de oração adjetiva pode mudar o sentido da frase. A banca frequentemente apresenta uma reescrita com vírgulas adicionadas/removidas e pergunta se houve alteração de sentido.

4. Usar “à medida em que” (forma híbrida e incorreta). As formas corretas são “à medida que” (proporcional) ou “na medida em que” (causal/explicativa).

5. Classificar oração com “que” após verbo de ligação como objetiva direta. Após verbos de ligação (ser, estar, parecer, ficar etc.), a oração com “que” é predicativa. “O problema é que faltam recursos” — predicativa, não objetiva direta.

6. Não reconhecer oração subordinada subjetiva com verbo na passiva. “Ficou decidido que a reunião seria cancelada” — “que a reunião seria cancelada” é sujeito paciente (subordinada substantiva subjetiva). Candidatos às vezes classificam incorretamente como objetiva.

Questões Comentadas

Questão 1 — CESPE/Cebraspe (adaptada)

“É fundamental que os servidores cumpram os prazos estabelecidos.”

A oração “que os servidores cumpram os prazos estabelecidos” exerce a função de:

a) objeto direto b) sujeito c) predicativo do sujeito d) objeto indireto

Gabarito: b) sujeito. O verbo “é fundamental” está na 3ª pessoa do singular sem sujeito expresso. Pergunta: O quê é fundamental? → “que os servidores cumpram os prazos”. A oração é subordinada substantiva subjetiva. Não é objetiva direta porque não há verbo transitivo direto — “ser” é verbo de ligação e “fundamental” é predicativo.

Questão 2 — FCC (adaptada)

“Os candidatos que chegaram antes do horário fizeram a prova sem problemas.”

A oração “que chegaram antes do horário” é:

a) explicativa b) restritiva c) apositiva d) predicativa

Gabarito: b) restritiva. Sem vírgulas, a oração delimita o grupo: somente os candidatos que chegaram antes do horário fizeram a prova. Se fosse explicativa, estaria entre vírgulas e indicaria que todos os candidatos chegaram antes do horário.

Questão 3 — CESPE/Cebraspe (adaptada)

Assinale a alternativa com oração adverbial corretamente classificada:

a) “Embora não soubesse a resposta, marcou.” — causal
b) “À medida que praticava, melhorava.” — proporcional
c) “Estudou tanto para que passasse.” — consecutiva
d) “Caso precise de ajuda, ligue.” — concessiva

Gabarito: b). “À medida que” é locução conjuntiva proporcional — a alternativa b está correta. (a) “embora” é concessiva, não causal. (c) “para que” é final, não consecutiva. (d) “caso” é condicional, não concessiva.

Questão 4 — FGV (adaptada)

“Tenho esperança de que as condições melhorem.”

A oração “de que as condições melhorem” é:

a) objetiva indireta b) completiva nominal c) adjetiva explicativa d) adverbial final

Gabarito: b) completiva nominal. A preposição “de” é exigida pelo substantivo “esperança” (esperança de quê?), não pelo verbo “ter”. Portanto, a oração completa o sentido do nome — é subordinada substantiva completiva nominal. Se o termo fosse “espero de que as condições melhorem”, seria objetiva indireta (preposição exigida pelo verbo “esperar”).

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