Nas operações com mercadorias, além do preço de compra, a empresa incorre em gastos acessórios para colocar o produto em condições de venda: fretes, seguros, desembaraço aduaneiro, entre outros. O tratamento contábil desses gastos depende de um critério fundamental: o gasto ocorre para adquirir a mercadoria ou para vendê-la? A resposta determina se o valor vai para o estoque ou para as despesas do período.
Neste resumo, você aprenderá a distinção entre frete de compra e frete de venda, o tratamento de seguros e gastos aduaneiros, com os respectivos lançamentos — conteúdo claro e direto para prova.
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📌 Princípio Geral: CPC 16 e o Custo de Aquisição
O CPC 16 (IAS 2 — Estoques) define que o custo dos estoques deve compreender:
- O preço de compra;
- Os impostos não recuperáveis de importação e outros tributos;
- Os custos de transporte, seguro e manuseio diretamente atribuíveis à aquisição do produto acabado, materiais e serviços.
Em contrapartida, devem ser excluídos do custo do estoque e reconhecidos como despesas do período:
- Descontos comerciais, abatimentos e outros itens similares;
- Custos de armazenagem após o recebimento das mercadorias (a não ser que sejam necessários no processo produtivo);
- Despesas administrativas gerais;
- Custos de venda e distribuição.
🚚 Frete sobre Compras (FOB — Freight On Board)
Quando a condição de venda é FOB (frete por conta do comprador), o custo do transporte para trazer a mercadoria ao estabelecimento integra o custo de aquisição — é capitalizado para o estoque.
Lançamento — frete sobre compra (inventário permanente):
- D — Estoques R$ 500
- C — Caixa / Transportadora a Pagar R$ 500
No inventário periódico, o frete é registrado em conta transitória Fretes sobre Compras, que integra as Compras Líquidas para fins de CMV.
🚛 Frete sobre Vendas (CIF — Cost, Insurance and Freight)
Quando a condição é CIF (frete por conta do vendedor), o custo do transporte para entregar a mercadoria ao cliente é despesa de venda — não entra no custo do estoque.
Lançamento — frete sobre venda:
- D — Despesas com Fretes (despesa de venda)
- C — Caixa / Transportadora a Pagar
✔️ O teste decisivo: o frete é para colocar a mercadoria disponível para venda (→ custo do estoque) ou para entregá-la ao cliente (→ despesa de venda)?
🔒 Seguros no Transporte
O tratamento do seguro segue a mesma lógica do frete:
- Seguro no transporte de compras (enquanto a mercadoria está vindo para a empresa) → capitalizado ao estoque — é gasto para colocar a mercadoria em condição de uso/venda;
- Seguro no transporte de vendas (enquanto a mercadoria está sendo entregue ao cliente, por conta da empresa) → despesa de venda.
🌐 Gastos Aduaneiros e de Importação
Nas importações, os gastos do processo de desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição da mercadoria:
- II (Imposto de Importação): não recuperável → capitalizado ao custo do estoque;
- IPI: para o comércio atacadista/varejista (não contribuinte de IPI), o IPI pago na importação também integra o custo;
- Despesas aduaneiras (taxa de armazenagem, capatazia, despachante): capitalizadas ao custo do estoque por serem necessárias para colocar a mercadoria em condições de uso.
⚠️ ICMS e PIS/COFINS importação: seguem a regra geral de recuperabilidade — se recuperáveis (contribuinte no regime não cumulativo), ficam em contas de ativo (impostos a recuperar); se não recuperáveis, integram o custo.
🧠 Dica Final para a Prova
Para resolver qualquer questão de frete e seguro, aplique a regra: “antes da venda → custo; depois da venda → despesa.” Frete de compra vem antes da venda (traz o produto para o estoque) → custo. Frete de entrega ao cliente vem depois da venda → despesa.
As bancas frequentemente incluem o frete de compra na composição do custo unitário e pedem o cálculo do CMV ou do estoque final com esse valor. Não esqueça de somar o frete ao custo de aquisição antes de aplicar o método de avaliação (PEPS ou CMP).
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Em breve no Dicionário do Concurseiro: Resumo Contabilidade: Ajuste ao valor realizável líquido
Cada centavo gasto para colocar uma mercadoria à venda faz parte do seu custo. A Contabilidade rastreia esse caminho com precisão — e a prova cobra cada desvio do caminho.
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