O artigo é uma classe gramatical que acompanha o substantivo com a função de determiná-lo, indicando se o ser ou objeto referido é conhecido (determinado) ou desconhecido (indeterminado) pelo interlocutor. Trata-se de um elemento aparentemente simples, mas que concentra uma quantidade expressiva de questões nas principais provas. Quem domina o uso do artigo — incluindo suas contrações com preposições, seus casos de omissão e seu papel na substantivação — conquista vantagem considerável nas provas de Língua Portuguesa, seja para cargos de nível médio, seja para os de nível superior.
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📌 Artigo Definido: o, a, os, as
O artigo definido apresenta o substantivo como algo já conhecido pelo ouvinte ou leitor, ou como o único de seu gênero. As formas são o (masculino singular), a (feminino singular), os (masculino plural) e as (feminino plural).
Quando usar o artigo definido
- Quando o substantivo já foi mencionado anteriormente no texto: “Comprei um livro. O livro é excelente.”
- Quando o substantivo é único em seu gênero ou contexto: “O Sol aqueceu a terra.”
- Quando o referente é de conhecimento compartilhado entre os interlocutores: “Você viu o presidente na televisão?”
- Antes de substantivos usados em sentido genérico ou universal: “O homem é um ser racional.”
- Com nomes de países, estados e cidades que tradicionalmente exigem artigo: o Brasil, a França, o Rio de Janeiro.
Casos em que NÃO se usa o artigo definido
- Antes de pronomes possessivos (uso facultativo): a norma culta admite tanto “meu carro” quanto “o meu carro”, mas em muitas provas o uso do artigo antes de possessivo é apresentado como erro. A rigor, é opção estilística — o que varia é o registro (formal tende a omitir, coloquial tende a manter).
- Antes de nomes de cidades sem artigo tradicional: Curitiba, Brasília, São Paulo, Belo Horizonte — em geral, não levam artigo, embora haja variações regionais.
- Em tratamentos formais como Vossa Excelência, Vossa Majestade: “Vossa Excelência está ciente do fato.” — o artigo não precede o pronome de tratamento.
- Antes de nomes próprios de pessoas em sentido preciso e individual: “Pedro chegou cedo.”, “Maria viajou.” — dispensam artigo na norma culta escrita e formal.
- Após o verbo ser em predicativo sem especificação: “Ela é professora.” — o artigo é omitido quando se indica apenas a condição, não a identidade específica.
📌 Artigo Indefinido: um, uma, uns, umas
O artigo indefinido apresenta o substantivo de forma vaga, imprecisa ou como qualquer representante de uma categoria. As formas são um (masculino singular), uma (feminino singular), uns (masculino plural) e umas (feminino plural).
Quando usar o artigo indefinido
- Quando o substantivo é mencionado pela primeira vez, sem referência específica: “Encontrei um documento na mesa.”
- Para indicar qualquer elemento de uma classe, sem particularizar: “Preciso de um médico.”
- Para expressar quantidade aproximada (valor de pronome numeral): “Esperou umas três horas.”
- Para realçar qualidades, com valor de exclamação: “Que uma inteligência extraordinária!”
“Um” como artigo indefinido versus pronome numeral
A distinção entre “um” artigo indefinido e “um” pronome numeral é recorrente em provas. Quando “um” pode ser substituído por “algum” ou “certo”, trata-se de artigo indefinido: “Recebi um recado” (= algum recado). Quando “um” indica a quantidade exata de uma unidade, contrapondo-se a outros numerais, é pronome numeral: “Comprei um caderno, não dois”. O contexto e a possibilidade de substituição são os critérios decisivos para a classificação.
🔗 Contração do Artigo com Preposições
A contração ocorre quando uma preposição se une ao artigo, formando uma única palavra. O domínio dessas contrações é fundamental tanto para a análise sintática quanto para a interpretação de textos em provas de concurso.
- de + o/a/os/as → do, da, dos, das. Ex.: “Venho do escritório”, “Saí da reunião”.
- de + um/uma → dum, duma (variante facultativa/coloquial). Ex.: “Falei dum caso”.
- em + o/a/os/as → no, na, nos, nas. Ex.: “Estou no trabalho”, “Confio nos colegas”.
- em + um/uma → num, numa (facultativo). Ex.: “Pensei num jeito”.
- a + o/os → ao, aos (contração, não crase). Ex.: “Fui ao banco”.
- a + a/as → à, às (crase, preposição + artigo feminino). Ex.: “Fui à praia”.
- por + o/a/os/as → pelo, pela, pelos, pelas. Ex.: “Passei pelo parque”.
Atenção especial merece a contração à (a + a), que representa simultaneamente a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”. Essa forma é grafada com crase e é frequentemente cobrada em provas. Já as contrações com artigo indefinido (dum, duma, num, numa) são consideradas facultativas pela norma culta.
🧩 Artigo e Substantivação
Uma das funções mais expressivas do artigo é a capacidade de substantivar qualquer palavra ou expressão, independentemente de sua classe gramatical original. Quando uma palavra é precedida de artigo, ela passa a funcionar como substantivo na oração.
- “O belo é subjetivo.” — adjetivo “belo” substantivado.
- “O sim e o não definiram o rumo da negociação.” — advérbios substantivados.
- “O andar do rei impressionava a todos.” — verbo no infinitivo substantivado.
- “O porquê da decisão não foi explicado.” — expressão interrogativa substantivada.
- “Aprendeu o abc da gestão pública.” — letras do alfabeto substantivadas.
Essa propriedade do artigo é amplamente explorada em questões de morfossintaxe, pois exige reconhecer que a classificação de uma palavra depende não de sua forma, mas de sua função no contexto.
🌍 Artigo com Nomes Geográficos
O uso do artigo com nomes geográficos segue convenções que precisam ser memorizadas, pois não há regra única que abranja todos os casos.
- Países com artigo: o Brasil, a França, a Argentina, o Japão, os Estados Unidos, a Alemanha.
- Países sem artigo: Portugal, Cuba, Israel, Angola, Moçambique.
- Estados brasileiros com artigo: o Amazonas, o Pará, o Maranhão, o Ceará, o Rio de Janeiro, o Piauí, o Acre, o Amapá.
- Estados brasileiros sem artigo: São Paulo, Goiás, Mato Grosso (Minas Gerais também é usado sem artigo na norma atual; “as Minas Gerais” é forma arcaica).
- Capitais e cidades com artigo: o Rio de Janeiro, o Recife, a Praia (Cabo Verde).
- Capitais e cidades sem artigo: Brasília, São Paulo, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus.
- Continentes: todos levam artigo — a América, a Europa, a África, a Ásia, a Oceania.
- Rios e montanhas: quase sempre levam artigo — o Amazonas, o São Francisco, o Nilo, os Andes, o Himalaia.
Um ponto importante: quando o nome geográfico é complemento de verbo que exige preposição “a”, o artigo determina a forma da preposição. Se o lugar leva artigo feminino, ocorre crase: “Fui à França”. Se não leva artigo, não há crase: “Fui a Portugal”. Se leva artigo masculino, ocorre a contração: “Fui ao Brasil”.
🧑 Artigo com Nomes Próprios de Pessoas
O uso do artigo antes de nomes próprios de pessoas é uma questão que divide a gramática normativa e o uso real da língua. Na norma culta escrita e formal, os nomes próprios de pessoas geralmente dispensam artigo: “Pedro saiu.”, “Maria chegou.”. No entanto, o uso popular e coloquial, especialmente em certas regiões do Brasil, admite amplamente o artigo antes do nome: “A Maria chegou.”, “O João ligou.”
Em textos literários, o artigo antes de nome próprio pode indicar intimidade, afeto ou familiaridade: “A Mariana que eu conheci era diferente.”. Em contextos formais, como atos administrativos e textos jurídicos, o artigo é evitado antes de nomes próprios de pessoas.
Quando o nome próprio de pessoa é usado em sentido metonímico ou metafórico, referindo-se a uma classe ou a uma qualidade, o nome passa a funcionar como substantivo comum, geralmente com artigo indefinido no singular: “Ele é um Einstein da física brasileira.” No plural genérico, o artigo costuma ficar implícito, como em “Precisamos de mais Oswaldos de Andrade na nossa literatura.” — mesmo padrão de um substantivo comum plural sem artigo (“precisamos de mais professores”).
🚫 Omissão do Artigo
A presença ou ausência do artigo pode alterar significativamente o sentido de uma frase. Em alguns contextos, a omissão é obrigatória; em outros, é opcional e implica distinção de sentido.
Omissão obrigatória
- Após os pronomes indefinidos cada, todo, qualquer (no sentido de qualquer um): “Cada pessoa tem seu momento.”
- Em expressões exclamativas com que: “Que dia lindo!”
- Em locuções adverbiais cristalizadas: “com certeza, em casa, de noite, por terra.”
- Antes de nomes de cidades que não admitem artigo: “Viajei a Brasília.”
Omissão com alteração de sentido
A oposição entre “Sou professor” e “Sou o professor” ilustra com precisão como o artigo altera o sentido. Em “Sou professor”, a ausência de artigo indica apenas a profissão ou condição, sem especificação. Já em “Sou o professor”, o artigo definido individualiza, identificando o sujeito como o professor em questão, conhecido no contexto.
Da mesma forma: “Ele tem carro” (possui um carro qualquer, enfatiza a posse) vs. “Ele tem o carro” (possui o carro específico, já conhecido). A presença do artigo definido sempre remete a algo determinado e compartilhado entre os interlocutores.
📋 Síntese dos Artigos
- o — definido, masculino singular. Contrações comuns: do, no, ao, pelo.
- a — definido, feminino singular. Contrações comuns: da, na, à, pela.
- os — definido, masculino plural. Contrações comuns: dos, nos, aos, pelos.
- as — definido, feminino plural. Contrações comuns: das, nas, às, pelas.
- um — indefinido, masculino singular. Contrações facultativas: dum, num.
- uma — indefinido, feminino singular. Contrações facultativas: duma, numa.
- uns — indefinido, masculino plural. Sem contrações obrigatórias.
- umas — indefinido, feminino plural. Sem contrações obrigatórias.
⚠️ Erros Clássicos em Prova
1. Artigo antes de pronome possessivo
É comum aparecer frases como “Trouxe o meu relatório para a reunião”, questionando se o artigo antes de “meu” é obrigatório, facultativo ou incorreto. A resposta correta é que o uso é facultativo tanto na gramática normativa como no uso culto. O erro comum é afirmar que o artigo antes do possessivo é sempre errado ou sempre obrigatório — nenhuma das duas afirmativas está correta.
2. Artigo com nomes de países e o uso de crase
A questão mais cobrada envolvendo artigo e nomes geográficos é a crase. Se o país ou cidade leva artigo feminino definido, haverá crase com a preposição “a”: “Viajei à França” (a + a). Se não leva artigo, não há crase: “Viajei a Portugal”. Se leva artigo masculino, ocorre contração, não crase: “Fui ao Japão”. O erro clássico é marcar crase antes de nomes masculinos ou antes de nomes que não recebem artigo.
3. Confusão entre “a” artigo, “a” preposição e “à” (preposição + artigo)
A letra “a” pode exercer três funções distintas: artigo definido feminino singular, preposição, e a combinação das duas (resultando em “à”, com crase). Em “Entregou a pasta à secretária”, o primeiro “a” é artigo (determina “pasta”) e o segundo “à” é preposição + artigo. Esse tipo de questão costuma explorar reescrita de frases, onde substituir o sujeito feminino por masculino exige ajustar os artigos e as crases ao longo do período.
📝 Questões Comentadas
Questão 1
Enunciado: Assinale a alternativa em que o vocábulo destacado exerce a função de artigo.
(A) “Comprei um carro novo.”
(B) “Havia apenas um candidato aprovado, não dois.”
(C) “Ela escolheu uma das opções disponíveis.”
(D) “Só existe um caminho possível nessa situação.”
(A) correta. “Um” introduz o substantivo “carro” pela primeira vez, de forma indeterminada, podendo ser substituído por “algum carro” — característica do artigo indefinido.
(B) incorreta. “Um” contrasta com “dois”, indicando quantidade exata: é pronome numeral, não artigo.
(C) incorreta. “Uma das opções” tem valor partitivo (qualquer uma entre várias), não o valor indefinido puro.
(D) incorreta. “Um caminho” tem valor de “único”, também não é o artigo indefinido sendo testado.
Gabarito: (A).
Questão 2
Enunciado: Em qual das frases abaixo o artigo exerce a função de substantivar um termo de outra classe gramatical?
(A) “O servidor público deve agir com probidade.”
(B) “O correr do tempo apaga as mágoas.”
(C) “Os candidatos foram convocados para a prova.”
(D) “A cidade recebeu investimentos em infraestrutura.”
(B) correta. Em “O correr do tempo”, o artigo “O” antecede o verbo “correr” (infinitivo), transformando-o em substantivo — substantivação pelo artigo.
(A), (C) e (D) incorretas. Nelas, os artigos determinam substantivos já existentes (servidor, candidatos, cidade), sem promover mudança de classe gramatical.
Gabarito: (B).
Questão 3
Enunciado: Considere a frase: “Ele viajou ___ Paris e depois ___ Argentina.” Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
(A) a — a
(B) a — à
(C) à — a
(D) à — à
(B) correta: “Ele viajou a Paris e depois à Argentina.” Paris não admite artigo em português, portanto a preposição “a” aparece sozinha, sem crase. Já “Argentina” é nome de país feminino que admite artigo (“a Argentina”), de modo que a preposição “a” se une ao artigo, formando “à” com crase.
Gabarito: (B).
Questão 4
Enunciado: Analise a frase “Sou médico neste hospital” e sua variante “Sou o médico deste hospital”. Sobre o uso do artigo definido na segunda frase, é correto afirmar que:
(A) O artigo é desnecessário e torna a frase incorreta.
(B) O artigo apenas reforça o predicativo, sem alterar o sentido.
(C) O artigo definido individualiza o sujeito, indicando que ele é o único médico ou o médico específico do hospital.
(D) O artigo transforma “médico” em advérbio na oração.
(C) correta. A presença do artigo definido “o” em “Sou o médico deste hospital” especifica e individualiza: o sujeito é identificado como aquele médico determinado. Sem o artigo (“Sou médico”), a frase apenas declara a profissão de forma genérica.
Gabarito: (C).
✅ Considerações Finais
O domínio do artigo — formas definida e indefinida, contrações com preposições, papel na substantivação e casos de omissão — é um investimento de alto retorno: exige não só memorização, mas análise contextual cuidadosa.
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