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Resumo Português: Concordância Verbal

A concordância verbal é um dos temas mais recorrentes nas provas de concursos públicos brasileiros. Seu domínio é indispensável para quem busca boas notas na parte de gramática, pois as questões exploram tanto a regra geral quanto os inúmeros casos especiais que geram dúvida — e que são exatamente os preferidos dos elaboradores. Conhecer cada nuance da concordância verbal distingue os candidatos que apenas memorizam a regra dos que realmente compreendem a língua portuguesa em profundidade.

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📌 Regra Geral da Concordância Verbal

A regra geral da concordância verbal é simples e serve de ponto de partida para todo o estudo do tema: o verbo concorda em número (singular ou plural) e em pessoa (primeira, segunda ou terceira) com o seu sujeito. Identificar corretamente o sujeito da oração é, portanto, o passo fundamental antes de qualquer análise.

Exemplos básicos:

  • O candidato estudou muito. — sujeito singular, verbo no singular.
  • Os candidatos estudaram muito. — sujeito plural, verbo no plural.
  • Eu trabalho todos os dias. — primeira pessoa do singular.
  • Nós trabalhamos todos os dias. — primeira pessoa do plural.

As dificuldades surgem quando o sujeito não está imediatamente antes do verbo, quando há mais de um núcleo no sujeito ou quando expressões de sentido coletivo entram em cena. Nesses casos, aplicam-se regras específicas que serão detalhadas a seguir.

🧩 Casos Especiais — Sujeito Composto

O sujeito composto é aquele formado por dois ou mais núcleos. Nessa situação, o comportamento do verbo varia conforme a posição do sujeito em relação ao verbo e conforme a conjunção que une os núcleos.

Sujeito Composto Antes do Verbo

Quando o sujeito composto está antes do verbo, a regra geral determina que o verbo vá para o plural:

  • Pedro e Maria chegaram cedo.
  • O diretor e a secretária assinaram o documento.

Há, entretanto, duas exceções importantes reconhecidas pela gramática normativa:

a) Núcleos sinônimos ou de sentido equivalente: quando os termos expressam a mesma ideia, o verbo pode ficar no singular.

  • A angústia e o desespero tomou conta do ambiente. (sinônimos — singular aceito)

b) Núcleos em gradação crescente ou decrescente: o verbo costuma concordar com o último deles.

  • Um olhar, uma palavra, um gesto bastava para acalmá-lo.

Sujeito Composto Depois do Verbo

Quando o sujeito composto vem depois do verbo, abre-se a possibilidade de o verbo concordar apenas com o núcleo mais próximo (concordância atrativa) ou ir para o plural (concordância gramatical). Ambas as formas são aceitas pela norma culta:

  • Chegou o diretor e a secretária. (concordância com o núcleo mais próximo — singular)
  • Chegaram o diretor e a secretária. (concordância com o sujeito composto — plural)

Sujeito Composto com “ou” e “nem”

a) “Ou” com sentido de exclusão (uma coisa ou outra, não ambas): o verbo fica no singular.

  • João ou Pedro será o representante da turma. (somente um dos dois)

b) “Ou” com sentido de inclusão (ambos os sujeitos praticam a ação): o verbo vai para o plural.

  • A negligência ou a imprudência causam acidentes. (ambas causam)

c) “Nem… nem”: o verbo pode ficar no singular — forma mais tradicional, reforçando a ideia de “nenhum dos dois” — ou ir para o plural, dando ênfase à pluralidade dos sujeitos. Ambas as formas são aceitas.

  • Nem o chefe nem os funcionários sabia/sabiam da decisão.

🧩 Casos Especiais — Sujeito Coletivo

O sujeito coletivo é um substantivo singular que designa um conjunto de seres: povo, multidão, rebanho, equipe, comissão, exército, conselho, entre outros. Por ser gramaticalmente singular, o verbo fica no singular quando o coletivo está sozinho, sem adjunto adnominal:

  • O exército marchou pela cidade.
  • A comissão deliberou por unanimidade.

Quando o coletivo vem seguido de adjunto adnominal no plural (“de + substantivo no plural”), a concordância torna-se facultativa:

  • A multidão de manifestantes ocupou / ocuparam as ruas.
  • Um grupo de alunos foi / foram aprovado(s) na prova.

🧩 Casos Especiais — Expressões Partitivas

As expressões partitivas indicam parte de um todo: a maioria de, a maior parte de, a metade de, boa parte de, grande número de, parte de. Quando funcionam como sujeito seguidas de um substantivo no plural, a concordância verbal é facultativa:

  • A maioria dos candidatos passou / passaram na prova.
  • A maior parte dos documentos foi / foram entregue(s) no prazo.
  • Grande número de pessoas compareceu / compareceram ao evento.

Quando a expressão partitiva vier sozinha, sem o complemento no plural, o verbo fica obrigatoriamente no singular:

  • A maioria concordou com a proposta.

🧩 Verbos Impessoais — Haver, Fazer e Ser

Os verbos impessoais não possuem sujeito e, por isso, ficam obrigatoriamente na terceira pessoa do singular.

Verbo “haver” com sentido de existir ou ocorrer: é impessoal e não varia em número.

  • Há muitas vagas no concurso. (correto — não “hão”)
  • Havia candidatos inscritos. (correto — não “haviam”)
  • Houve manifestações na cidade. (correto — não “houveram”)

Verbo “fazer” indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico: também é impessoal e fica no singular.

  • Faz dois anos que não o vejo. (correto — não “fazem”)
  • Faz muito calor nesta cidade.
  • Fazia três semanas que ele havia sumido.

Verbo “ser” — casos especiais: quando indica horas, datas ou distâncias, concorda com o predicativo:

  • São duas horas. (predicativo no plural → verbo no plural)
  • É uma hora. (predicativo no singular → verbo no singular)
  • Hoje são quinze de março.
  • São dez quilômetros daqui até lá.

Quando o predicativo for “muito”, “pouco”, “mais”, “menos”, “tudo”, “nada”, o verbo “ser” fica no singular: Cinquenta reais é pouco para pagar a conta.

🧩 Concordância com Pronomes Relativos

Quando o verbo da oração subordinada adjetiva tem como sujeito um pronome relativo, ele concorda com o antecedente do pronome relativo.

Com o pronome relativo “que”: o verbo concorda sempre com o antecedente, sem exceção.

  • Fui eu que resolvi o problema. — antecedente de “que” é “eu” → verbo na primeira pessoa do singular.
  • Fomos nós que organizamos o evento.
  • Foi você que chegou atrasado.

Com o pronome relativo “quem”: o verbo pode concordar com o antecedente ou com o próprio “quem” (terceira pessoa do singular).

  • Fui eu quem resolveu o problema. (concordância com “quem” — mais formal)
  • Fui eu quem resolvi o problema. (concordância com o antecedente “eu” — também aceita)

Com o pronome relativo “o qual” (e variações “a qual”, “os quais”, “as quais”): segue a mesma regra do “que” — o verbo concorda sempre com o antecedente, sem a dupla possibilidade que existe com “quem”.

  • Os candidatos, os quais participaram da prova, aguardam o resultado. — antecedente “os candidatos”; o verbo da oração adjetiva, “participaram”, concorda com esse antecedente na terceira pessoa do plural.

📋 Resumo Comparativo dos Casos Especiais

  • Sujeito composto antes do verbo: plural (regra geral) — Pedro e Ana chegaram.
  • Sujeito composto com sinônimos: singular, facultativo — A angústia e o desespero tomou conta.
  • Sujeito composto depois do verbo: singular ou plural, facultativo — Chegou/Chegaram o pai e a mãe.
  • Sujeito composto com “ou” exclusivo: singular — João ou Maria será eleito.
  • Sujeito composto com “ou” inclusivo: plural — O frio ou o calor causam doenças.
  • Sujeito composto com “nem… nem”: singular ou plural, ambos aceitos — Nem o chefe nem os funcionários sabia/sabiam.
  • Sujeito coletivo sem adjunto: singular — A turma saiu cedo.
  • Coletivo + adjunto no plural: singular ou plural, facultativo — A turma de alunos saiu/saíram.
  • Expressão partitiva + plural: singular ou plural, facultativo — A maioria dos alunos passou/passaram.
  • “Haver” existencial: sempre singular, impessoal — Há muitas vagas.
  • “Fazer” indicando tempo: sempre singular, impessoal — Faz dois anos que partiu.
  • “Ser” indicando horas/datas: concorda com o predicativo — São duas horas. / É uma hora.
  • Pronome relativo “que”/”o qual”: verbo concorda sempre com o antecedente — Fui eu que resolvi.
  • Pronome relativo “quem”: singular (com “quem”) ou com o antecedente — Fui eu quem resolveu / resolvi.

🧠 Erros Clássicos em Prova

1. Pluralizar “haver” existencial. Escrever “haviam muitas pessoas” em vez de “havia muitas pessoas” é um dos erros mais comuns e mais cobrados.

2. Pluralizar “fazer” impessoal. “Fazem dois anos” em vez de “faz dois anos”.

3. Usar “ter” no lugar de “haver” existencial na escrita formal. Na fala coloquial, “tem muita gente aqui” é comum e, nesse uso, “ter” se comporta como pessoal e concordaria no plural (“tinham muitas pessoas”). Mas essa substituição é coloquial e não deve ser usada na norma culta escrita — o correto em prova é sempre “há”/”havia” muitas pessoas, no singular.

4. Não perceber que o sujeito composto está depois do verbo. Em frases como “Chegou o requerimento e os anexos”, o verbo pode ficar no singular por concordância atrativa — ponto que candidatos frequentemente erram.

5. Confundir coletivo com sujeito plural. “A equipe” é gramaticalmente singular mesmo representando várias pessoas — “A equipe venceu o campeonato” está correto no singular, mesmo que a equipe tenha vários jogadores. Só o adjunto adnominal no plural (“a equipe de jogadores”) abre a concordância facultativa.

6. Assumir que “a maioria” exige singular obrigatório. Questões de concurso frequentemente apresentam o verbo no plural após “a maioria de” e perguntam se está errado. A resposta é não — ambas as formas são corretas.

📝 Questões de Concurso Comentadas

Questão 1

“Haviam muitos candidatos inscritos no concurso.”

Gabarito: ERRADO. O verbo “haver” com sentido de existir é impessoal e deve permanecer no singular. A forma correta é: “Havia muitos candidatos inscritos no concurso.”

Questão 2

“A maioria dos servidores públicos receberam o comunicado em tempo hábil.”

Gabarito: CERTO. Quando o sujeito é uma expressão partitiva como “a maioria de” seguida de substantivo no plural, a concordância pode ser feita tanto no singular (“recebeu”) quanto no plural (“receberam”). Ambas as formas estão corretas pela gramática normativa.

Questão 3

“Faz três anos que ele não aparece nas reuniões.” O item afirma que o verbo “faz” deveria ser substituído por “fazem” para a frase ficar correta.

Gabarito: ERRADO. O verbo “fazer” indicando tempo decorrido é impessoal e deve permanecer no singular. A frase original já está correta.

Questão 4

“Somos nós que devemos resolver o problema.”

Gabarito: CERTO. O pronome relativo “que” tem como antecedente “nós” (primeira pessoa do plural). O verbo na oração subordinada adjetiva deve concordar com esse antecedente: “devemos”, primeira pessoa do plural. A frase está em plena conformidade com a norma culta.


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📘 Nos casos facultativos (partitivas, coletivo com adjunto, “nem… nem”), as duas formas são corretas. O erro real está nos impessoais — “haver” e “fazer” nunca variam.

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