Dando continuidade ao nosso estudo das classes invariáveis, neste resumo abordaremos a conjunção, um dos elementos essenciais para conectar orações e estabelecer relações de sentido no período composto.
As conjunções são palavras ou locuções invariáveis que têm a função de conectar orações entre si ou de ligar termos de mesma função sintática dentro de uma oração. Elas são elementos essenciais para a coesão textual, pois estabelecem relações de sentido entre as partes do discurso — relações de adição, oposição, causa, consequência, condição, tempo, entre outras. Para o concursando, dominar as conjunções é fundamental não apenas para as questões de classificação gramatical, mas também para as provas de interpretação de texto, pois a troca de uma conjunção pode alterar completamente o sentido de um enunciado.
Antes de retomarmos os detalhes do conteúdo, vale lembrar como a Língua Portuguesa organiza suas classes gramaticais:
🔄 Variáveis (admitem flexão):
- Substantivo
- Adjetivo
- Artigo
- Numeral
- Pronome
- Verbo
🔒 Invariáveis (não se flexionam):
- Advérbio
- Preposição
- Conjunção
- Interjeição
👉 Neste resumo, você verá a classificação completa das conjunções coordenativas e subordinativas, as distinções mais cobradas em prova (porque/por que/porquê/por quê) e as principais armadilhas envolvendo conjunções polissêmicas. Vamos direto ao que realmente importa para a sua aprovação.
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📌 O que são Conjunções?
As conjunções dividem-se em dois grandes grupos: coordenativas e subordinativas. As coordenativas ligam orações sintaticamente independentes (orações coordenadas) ou termos de mesma função. As subordinativas introduzem orações dependentes de outra (orações subordinadas), estabelecendo uma relação de hierarquia sintática entre elas.
🔗 Conjunções Coordenativas
As conjunções coordenativas ligam termos ou orações que têm o mesmo valor sintático, sem que uma dependa gramaticalmente da outra. Dividem-se em cinco subclasses, conforme a relação de sentido que estabelecem.
Aditivas
Expressam adição, acréscimo de ideias. Principais: e, nem, não só…mas também, não apenas…como também, bem como, tampouco. Ex.: Estudou muito e passou no concurso.
Adversativas
Expressam oposição, contraste ou restrição entre ideias. Principais: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. Ex.: Estudou muito, mas não foi aprovado.
Alternativas
Expressam alternância, escolha ou exclusão entre ideias. Principais: ou, ou…ou, ora…ora, quer…quer, seja…seja, já…já. Ex.: Ora ele ria, ora chorava.
Conclusivas
Introduzem uma conclusão em relação ao que foi dito anteriormente. Principais: logo, portanto, por isso, então, assim, por conseguinte, pois (posposto ao verbo). Ex.: Chegou atrasado; portanto, perdeu a prova.
Explicativas
Introduzem uma justificativa ou explicação para o que foi afirmado. Principais: pois (anteposto ao verbo), porque, que, porquanto. Ex.: Não saia, pois está chovendo.
🔗 Conjunções Subordinativas
As conjunções subordinativas introduzem orações que dependem sintaticamente de uma oração principal. Dividem-se em integrantes e adverbiais.
Integrantes
Introduzem orações subordinadas substantivas, que exercem funções típicas de substantivos (sujeito, objeto direto etc.). São apenas duas: que e se. Ex.: Espero que você passe no concurso. Perguntei se ele havia estudado.
Causais
Indicam a causa do fato expresso na oração principal. Principais: porque, como, visto que, já que, porquanto, uma vez que. Ex.: Como chegou tarde, perdeu a chamada.
Concessivas
Indicam uma concessão, uma ideia que contraria a expectativa mas não impede o fato da oração principal. Principais: embora, conquanto, mesmo que, ainda que, por mais que, apesar de que, posto que. Ex.: Embora estivesse cansado, continuou estudando.
Condicionais
Expressam uma condição para que o fato da oração principal ocorra. Principais: se, caso, desde que, contanto que, a menos que, salvo que, exceto se. Ex.: Caso você estude, será aprovado.
Conformativas
Expressam conformidade, acordo com o que foi dito. Principais: conforme, como, segundo, consoante. Ex.: Fez tudo conforme foi orientado.
Finais
Indicam a finalidade, o objetivo do fato expresso na oração principal. Principais: para que, a fim de que, que. Ex.: Estudou muito para que pudesse passar.
Consecutivas
Indicam a consequência do fato expresso na oração principal. Principais: que (precedido de tão, tanto, tamanho), de modo que, de sorte que, de maneira que. Ex.: Estudou tanto que ficou exausto.
Temporais
Indicam o tempo em que ocorre o fato expresso na oração principal. Principais: quando, enquanto, logo que, assim que, antes que, depois que, mal, desde que, até que. Ex.: Mal chegou, começou a estudar.
Comparativas
Estabelecem uma comparação entre os fatos das duas orações. Principais: como, assim como, (mais/menos)…do que, tanto…quanto. Ex.: Ela estuda tanto quanto ele.
Proporcionais
Indicam que um fato varia proporcionalmente em relação ao outro. Principais: à medida que, à proporção que, quanto mais…mais, quanto menos…menos. Ex.: À medida que estudava, ganhava mais confiança.
🔤 Porque, Por que, Porquê e Por quê
Uma das questões mais cobradas em concursos envolve a diferenciação entre essas quatro formas homófonas. Entender o emprego correto de cada uma é indispensável para não errar em questões de ortografia e semântica.
- Porque (junto, sem acento): conjunção subordinativa causal ou coordenativa explicativa. Equivale a “pois”. Usado em respostas e explicações. Ex.: Fiquei em casa porque estava doente. Não saia, porque está frio.
- Por que (separado, sem acento): pronome interrogativo ou relativo. Equivale a “por qual motivo” ou “pelo qual”. Ex.: Não sei por que ele saiu (= por qual motivo). A razão por que estudou foi a aprovação (= pela qual).
- Porquê (junto, com acento): substantivo, indica o motivo, a razão. Sempre precedido de artigo, pronome ou numeral. Ex.: Ninguém entendeu o porquê da decisão.
- Por quê (separado, com acento): pronome interrogativo em final de frase ou de oração. Ex.: Você foi embora, mas não disse por quê.
⚠️ Armadilhas Frequentes em Provas
As provas costumam explorar nuances do uso das conjunções para testar o domínio real do candidato. Conheça as principais armadilhas:
“Pois” explicativo vs. “pois” conclusivo
O pois tem dois empregos distintos. Quando anteposto ao verbo (primeira posição na oração), é conjunção coordenativa explicativa: Não abra a janela, pois está ventando. Quando posposto ao verbo (depois do verbo, geralmente entre vírgulas), é conjunção coordenativa conclusiva: Estudou bastante; passou, pois, na prova. Esse emprego conclusivo é mais formal e literário.
“Como” conformativo vs. “como” comparativo vs. “como” causal
A conjunção como é altamente polissêmica. Pode ser conformativa (Fiz como me mandaram = de acordo com), comparativa (Ele é inteligente como o irmão = da mesma maneira que) ou causal (Como estava com pressa, não esperou = porque, quando a oração causal vem antes da principal). A identificação correta exige atenção ao contexto.
“Mas” vs. “mais”
Erro frequente de escrita: mas é conjunção adversativa (quero ir, mas não posso), enquanto mais é advérbio de intensidade ou pronome indefinido (quero mais tempo para estudar). Em provas de língua portuguesa, a substituição indevida de um pelo outro é considerada erro grave.
“Bem como” — aditiva, não comparativa
Muitos candidatos classificam equivocadamente bem como como conjunção comparativa. Na gramática normativa, bem como funciona como conjunção coordenativa aditiva, com valor de “e também”, “além de”. Ex.: O edital exige diploma universitário, bem como experiência comprovada.
Pares correlativos: não confunda consecutiva com comparativa
As conjunções correlativas são pares que funcionam em conjunto: não só…mas também (aditiva), ou…ou (alternativa), tanto…quanto (comparativa), tão…que (consecutiva). Candidatos confundem frequentemente a relação consecutiva (tão…que) com a comparativa. Lembre-se: a consecutiva expressa consequência, enquanto a comparativa estabelece grau entre dois elementos.
📝 Questões Comentadas
Questão 1
“Ainda que os candidatos tenham estudado intensamente, a prova foi considerada difícil.”
A conjunção sublinhada “ainda que” estabelece, entre as orações, uma relação de:
(A) Causalidade
(B) Concessão
(C) Condição
(D) Consequência
(A) incorreta. Não há indicação de causa — a segunda oração não decorre da primeira como motivo.
(B) correta. “Ainda que” é conjunção subordinativa concessiva: a oração que introduz apresenta uma ideia contrária ao esperado (estudar intensamente normalmente levaria a uma prova mais fácil), sem impedir o fato da oração principal. Outras concessivas equivalentes: embora, conquanto, mesmo que, por mais que.
(C) incorreta. Condicionais (se, caso) indicam uma condição necessária para o fato principal, não uma ideia contrária a ele.
(D) incorreta. Consequência é papel das consecutivas (tão…que, de modo que), não da concessiva.
Gabarito: (B).
Questão 2
“O servidor não compareceu ao trabalho, pois estava enfermo.”
A conjunção “pois” no trecho acima é classificada como:
(A) Coordenativa conclusiva
(B) Coordenativa explicativa
(C) Subordinativa causal
(D) Coordenativa adversativa
(A) incorreta. Para ser conclusiva, o “pois” deveria estar posposto ao verbo, geralmente entre vírgulas: “Estava enfermo; não compareceu, pois, ao trabalho.”
(B) correta. O “pois” está antes do verbo “estava” e introduz uma justificativa para o fato de o servidor não ter comparecido — conjunção coordenativa explicativa. Essa distinção posicional do “pois” é frequentemente cobrada em prova.
(C) incorreta. “Pois” nunca é classificado como subordinativa causal na gramática normativa — essa função é de “porque”, “já que”, “visto que”.
(D) incorreta. Não há oposição entre as duas orações, e sim justificativa.
Gabarito: (B).
Questão 3
“À medida que os anos passavam, o candidato acumulava mais experiência.”
A relação de sentido estabelecida pela locução conjuntiva “à medida que” é de:
(A) Tempo
(B) Condição
(C) Proporção
(D) Concessão
(A) incorreta. Temporais simples (quando, enquanto) marcam apenas simultaneidade ou sucessão, sem indicar variação proporcional entre os dois fatos.
(B) incorreta. Não há condição para que o fato ocorra, e sim uma correlação gradual entre dois processos.
(C) correta. “À medida que” é locução conjuntiva proporcional: indica que dois fatos evoluem simultaneamente e em proporção — conforme os anos passavam, a experiência aumentava. Atenção à grafia: “à medida que” (proporcional) é diferente de “na medida em que” (causal), erro clássico explorado em questões de prova.
(D) incorreta. Não há ideia de contraste com o esperado, que caracterizaria a concessão.
Gabarito: (C).
Questão 4
“Estudou bastante, contudo não foi aprovado no concurso.”
A conjunção “contudo” estabelece, entre as orações, uma relação de:
(A) Concessão
(B) Adição
(C) Oposição adversativa
(D) Consequência
(A) incorreta. A concessiva (embora, ainda que) subordina uma oração a outra; aqui as duas orações são sintaticamente independentes.
(B) incorreta. Não há acréscimo de ideias, e sim contraste.
(C) correta. “Contudo” é conjunção coordenativa adversativa: liga duas orações independentes que se contrapõem (estudar bastante x não ser aprovado), sem que uma dependa sintaticamente da outra. É esse traço — coordenação entre orações de mesmo peso sintático — que distingue a adversativa da concessiva, que subordina.
(D) incorreta. Consequência é papel das consecutivas (tão…que, de modo que), não da adversativa.
Gabarito: (C).
🎯 Dicas Finais para a Prova
Para consolidar o estudo sobre conjunções, tenha em mente os seguintes pontos estratégicos:
- Identifique sempre a relação de sentido entre as orações antes de classificar a conjunção. A mesma palavra pode ter classificações diferentes conforme o contexto (ex.: como, que, pois).
- Memorize os pares correlatos e saiba distinguir as relações: tão…que é consecutiva; tanto…quanto é comparativa.
- Atenção à posição do pois: antes do verbo = explicativa; depois do verbo = conclusiva.
- Domine as quatro formas de “porque/por que/porquê/por quê” — são cobradas em praticamente todas as provas.
- Não confunda concessiva com adversativa: a adversativa (mas, porém, contudo) coordena orações independentes; a concessiva (embora, ainda que) subordina uma oração à outra.
- Locução “à medida que” (proporcional) vs. “na medida em que” (causal): erro clássico de classificação.
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👉 Continue os estudos: Resumo Português: Interjeição
📘 A mesma palavra pode ser conjunção diferente conforme o contexto — “como”, “que” e “pois” são os campeões dessa pegadinha. Continue estudando!
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