As figuras de palavras (ou tropos) são um dos temas mais recorrentes nas provas de Língua Portuguesa de concursos públicos. Elas ocorrem quando um termo é empregado em sentido diferente do seu significado original, seja por semelhança, contiguidade ou outro tipo de associação.
Neste resumo, você vai revisar as cinco figuras de palavras mais cobradas — metáfora, metonímia, catacrese, sinédoque e antonomásia — e aprender a diferenciá-las com segurança em enunciados de prova.
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📌 O que são figuras de palavras?
As figuras de palavras, também chamadas de tropos, consistem no emprego de um termo em sentido diferente do seu significado original. O desvio se dá por semelhança de características (metáfora), por relação de proximidade ou contiguidade (metonímia) ou por outros tipos de associação.
🧠 Metáfora
A metáfora é a transferência de significado de uma palavra para outra com base em uma semelhança subjetiva entre dois elementos. Diferentemente da comparação (símile), que usa conectivos como “como” ou “tal qual”, a metáfora estabelece a identificação direta entre os termos.
Exemplo: “A vida é uma viagem sem retorno.” — “vida” e “viagem” são identificadas com base em traços comuns (caminhada, percurso, descobertas), sem o uso de conectivos comparativos.
📝 Metonímia
A metonímia consiste na substituição de um termo por outro com base em uma relação de contiguidade, ou seja, de proximidade real entre os conceitos. As relações metonímicas mais comuns são: causa pelo efeito, continente pelo conteúdo, autor pela obra e instrumento pelo agente.
Exemplos:
- “Ele leu Machado de Assis.” (autor pela obra)
- “O Brasil venceu a Argentina.” (continente pelo conteúdo — o país pelo time/seleção)
- “Ele vive do seu trabalho.” (causa pelo efeito — o trabalho, causa, representa o sustento, efeito)
- “Pedir a mão de alguém em casamento.” (a parte — mão — representa o todo — pessoa)
🎯 Catacrese
A catacrese é uma metáfora que, de tanto ser usada, perdeu sua força expressiva e passou a ser incorporada ao vocabulário como uso corrente, sem que os falantes percebam mais o desvio de sentido. Trata-se de uma metáfora “fossilizada” ou “morta”, que costuma preencher lacunas lexicais — ou seja, designa realidades para as quais não existe um termo específico.
Exemplos clássicos:
- “Pé da mesa” (mesas não têm pés, mas o termo foi incorporado ao uso padrão)
- “Braço da poltrona”
- “Asa da xícara”
- “Folha de papel”
- “Embarcar no avião” (originalmente, “embarcar” referia-se apenas a barcos)
📚 Sinédoque
A sinédoque é frequentemente classificada como uma modalidade de metonímia. Ela consiste na substituição do todo pela parte, da parte pelo todo, do singular pelo plural ou do gênero pela espécie — e vice-versa.
Exemplos:
- “O Brasil jogou bem ontem.” (país pelo time — todo pela parte)
- “Comprei um Ford.” (espécie pelo gênero — a marca específica representa “carro” de forma genérica)
- “O homem é mortal.” (singular pelo plural — o homem = todos os homens)
🔤 Antonomásia (ou perífrase)
A antonomásia consiste em substituir o nome próprio de uma pessoa por uma expressão que a caracteriza, ou vice-versa. Quando a substituição envolve uma expressão descritiva (e não apenas um apelido), também se denomina perífrase.
Exemplos:
- “O Rei do Futebol marcou mais um gol.” (referência a Pelé)
- “A Cidade Maravilhosa recebeu turistas do mundo inteiro.” (referência ao Rio de Janeiro)
- “O filósofo de Estagira influenciou toda a filosofia ocidental.” (referência a Aristóteles)
⚠️ Diferenças que mais confundem
- Catacrese x metáfora: ambas envolvem sentido diferente do original por semelhança; a diferença está no grau de consciência do falante. Na metáfora, o desvio ainda causa impacto expressivo; na catacrese, o uso é tão corrente que ninguém mais o percebe. Em prova, pode-se apresentar “pé da mesa” e perguntar se é metáfora — a resposta correta é catacrese (metáfora desgastada).
- Metonímia x sinédoque: a sinédoque envolve relações quantitativas (parte/todo, singular/plural, espécie/gênero); a metonímia, em sentido restrito, envolve relações qualitativas de contiguidade (causa/efeito, autor/obra, continente/conteúdo, instrumento/agente). Algumas gramáticas, como as de Bechara e de Cunha e Cintra, tratam a sinédoque como subtipo de metonímia; outras preferem mantê-la como categoria própria. Na dúvida, responda “metonímia” como o conceito mais amplo, salvo quando o enunciado pedir a classificação mais específica.
📖 Exemplos comentados
O navio cortou as águas do Atlântico com precisão cirúrgica.
- Figura principal: metáfora. “Cortar” é usado em sentido conotativo, atribuindo ao navio uma ação típica de objetos cortantes; a expressão ainda causa impacto expressivo, então não é catacrese.
Ela tocou um Chopin maravilhoso na noite de gala.
- Figura principal: metonímia (autor pela obra). “Chopin” substitui “uma composição de Chopin” — relação de contiguidade, não de semelhança, o que descarta metáfora; e não há relação parte/todo, o que descarta sinédoque.
🔍 Método rápido para identificar
Use o roteiro SPA:
- Semelhança: os dois elementos se parecem de algum modo? Se sim, e o desvio ainda é percebido, é metáfora; se o uso já virou automático, é catacrese.
- Proximidade: os elementos estão relacionados por contiguidade real (causa/efeito, autor/obra, parte/todo)? Então é metonímia ou sinédoque.
- Apolido ou expressão: um nome próprio foi trocado por um apelido ou descrição que o caracteriza? É antonomásia (ou perífrase).
Esse roteiro ajuda a organizar o raciocínio quando as alternativas de uma questão trazem figuras parecidas.
✅ Fechamento objetivo
Dominar as figuras de palavras exige treinar a identificação em textos reais, não apenas decorar definições isoladas. Preste atenção especial às armadilhas mais recorrentes — catacrese x metáfora e metonímia x sinédoque — e pratique com fragmentos literários, jornalísticos e enunciados de questões anteriores.
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📚 Quem reconhece o mecanismo por trás de cada figura interpreta melhor o texto e evita cair em classificações parecidas, mas tecnicamente diferentes.
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