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Resumo Português: Figuras de linguagem – figuras de palavras (metáfora, metonímia, catacrese etc.)

As figuras de linguagem são um dos temas mais recorrentes nas provas de Língua Portuguesa de concursos públicos. Bancas como CESPE/Cebraspe, FCC, VUNESP e CESGRANRIO cobram o assunto tanto na identificação direta de figuras em fragmentos de texto quanto na interpretação de efeitos de sentido produzidos pelo uso desses recursos. Dominar o tema exige não apenas memorizar definições, mas compreender como cada figura funciona no contexto da frase — e saber distinguir recursos que se assemelham superficialmente, como metáfora e catacrese, ou metonímia e sinédoque. Este artigo apresenta uma revisão completa e objetiva do assunto, organizada para facilitar o estudo e a fixação dos conteúdos mais cobrados em prova.

O que são figuras de linguagem

Figuras de linguagem são recursos expressivos da língua que afastam o discurso de seu uso comum e literal, com o objetivo de torná-lo mais rico, sugestivo, enfático ou estético. São amplamente utilizadas tanto na linguagem literária quanto na linguagem cotidiana e jornalística. Do ponto de vista gramatical, as figuras de linguagem são classificadas em três grandes grupos:

  • Figuras de palavras (ou tropos): envolvem a substituição do sentido original de uma palavra por outro sentido, seja por semelhança, contiguidade ou outro tipo de relação.
  • Figuras de construção (ou de sintaxe): alteram a estrutura sintática da frase, afastando-se da norma gramatical padrão para produzir efeitos expressivos.
  • Figuras de pensamento: expressam ideias ou sentimentos de forma indireta, por contraste, exagero, atenuação ou outros recursos de ordem semântica e pragmática.

Algumas gramáticas e manuais também incluem as figuras de som (aliteração, assonância, paronomásia), que atuam sobre a musicalidade e a sonoridade do texto. Para efeitos de concurso, no entanto, as categorias mais cobradas são as três listadas acima.

Figuras de palavras

As figuras de palavras, também chamadas de tropos, consistem no emprego de um termo em sentido diferente do seu significado original. O desvio se dá por semelhança de características (metáfora), por relação de proximidade ou contiguidade (metonímia) ou por outros tipos de associação.

Metáfora

A metáfora é a transferência de significado de uma palavra para outra com base em uma semelhança subjetiva entre dois elementos. Diferentemente da comparação (símile), que usa conectivos como “como” ou “tal qual”, a metáfora estabelece a identificação direta entre os termos. A metáfora pressupõe que o falante perceba conscientemente a equivalência entre os dois elementos.

Exemplo: “A vida é uma viagem sem retorno.” — “vida” e “viagem” são identificadas com base em traços comuns (caminhada, percurso, descobertas), sem o uso de conectivos comparativos.

Metonímia

A metonímia consiste na substituição de um termo por outro com base em uma relação de contiguidade, ou seja, de proximidade real entre os conceitos. As relações metonímicas mais comuns são: causa pelo efeito, continente pelo conteúdo, autor pela obra, instrumento pelo agente, parte pelo todo (neste caso específico, chamada de sinédoque por algumas gramáticas).

Exemplos:

  • “Ele leu Machado de Assis.” (autor pela obra)
  • “O Brasil venceu a Argentina.” (país pelo time, continente pelo conteúdo)
  • “Ela ganhou o pão com o suor do rosto.” (suor como causa; trabalho como efeito)
  • “Pedir a mão de alguém em casamento.” (a parte — mão — representa o todo — pessoa)

Catacrese

A catacrese é uma metáfora que, de tanto ser usada, perdeu sua força expressiva e passou a ser incorporada ao vocabulário como uso corrente, sem que os falantes percebam mais o desvio de sentido. Trata-se, portanto, de uma metáfora “fossilizada” ou “morta”. A catacrese costuma preencher lacunas lexicais, ou seja, designa realidades para as quais não existe um termo específico.

Exemplos clássicos de catacrese:

  • “Pé da mesa” (mesas não têm pés, mas o termo foi incorporado ao uso padrão)
  • “Braço da poltrona”
  • “Asa da xícara”
  • “Folha de papel”
  • “Embarcar no avião” (originalmente, “embarcar” referia-se apenas a barcos)

Sinédoque

A sinédoque é frequentemente classificada como uma modalidade de metonímia. Ela consiste na substituição do todo pela parte, da parte pelo todo, do singular pelo plural ou do gênero pela espécie — e vice-versa. Em concursos, a distinção entre metonímia e sinédoque costuma ser um ponto de confusão, pois diversas bancas tratam a sinédoque como um subtipo da metonímia.

Exemplos:

  • “O Brasil jogou bem ontem.” (país pelo time — todo pela parte)
  • “Comprei um Ford.” (marca pela parte — sinédoque de espécie)
  • “O homem é mortal.” (singular pelo plural — o homem = todos os homens)

Antonomásia (ou perífrase)

A antonomásia consiste em substituir o nome próprio de uma pessoa por uma expressão que a caracteriza, ou vice-versa. Quando a substituição envolve uma expressão descritiva (e não apenas um apelido), também se denomina perífrase.

Exemplos:

  • “O Rei do Futebol marcou mais um gol.” (referência a Pelé)
  • “A Cidade Maravilhosa recebeu turistas do mundo inteiro.” (referência ao Rio de Janeiro)
  • “O filósofo de Estagira influenciou toda a filosofia ocidental.” (referência a Aristóteles)

Figuras de construção

As figuras de construção (ou figuras de sintaxe) resultam de desvios na estrutura gramatical das frases. Esses desvios podem envolver a omissão de elementos, a repetição, a inversão da ordem canônica ou a quebra da concordância esperada.

Elipse

A elipse consiste na omissão de um termo que pode ser facilmente subentendido pelo contexto. A elipse torna o discurso mais econômico e ágil, sendo muito comum tanto na linguagem oral quanto na escrita.

Exemplo: “Uns queriam ficar; outros, partir.” — o verbo “queriam” foi omitido na segunda oração, pois se subentende pelo contexto.

Zeugma

O zeugma é uma modalidade específica de elipse em que um termo já expresso anteriormente na frase é omitido em uma ocorrência subsequente. A diferença em relação à elipse geral é que, no zeugma, o termo omitido foi explicitado antes na mesma construção.

Exemplo: “Ele prefere churrasco; ela, salada.” — o verbo “prefere” foi suprimido na segunda parte da frase, mas apareceu explicitamente na primeira.

Hipérbato (ou inversão)

O hipérbato consiste na inversão da ordem direta dos termos da oração (sujeito + verbo + complemento), com o objetivo de destacar um elemento ou produzir efeito rítmico e estilístico. É muito comum na linguagem poética clássica.

Exemplo: “Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá.” (Gonçalves Dias) — a ordem direta seria “O sabiá canta onde minha terra tem palmeiras.”

Anacoluto

O anacoluto é a ruptura da estrutura sintática da frase, fazendo com que um termo fique sem função gramatical clara. Ocorre quando o falante inicia uma construção e muda de estrutura no meio da frase, deixando o elemento inicial sem relação sintática definida com o restante.

Exemplo: “Essa menina, ninguém aguenta ela.” — o termo “essa menina” inicia a frase como se fosse sujeito, mas a construção seguinte não a integra sintaticamente; o pronome “ela” assume a função.

Pleonasmo

O pleonasmo consiste na repetição de uma ideia já contida em outra palavra da frase. Pode ser vicioso (redundância desnecessária, considerada erro) ou literário (usado intencionalmente para ênfase). Em concursos, o pleonasmo literário é frequentemente abordado como figura de construção.

Exemplos:

  • Pleonasmo vicioso: “subir para cima”, “entrar para dentro”, “repetir de novo”.
  • Pleonasmo literário: “Voa, voa, passarinho, / voa para o alto azul!” — a repetição de “voa” intensifica o apelo.

Polissíndeto e assíndeto

O polissíndeto consiste na repetição intencional de conjunções coordenativas (geralmente “e”), produzindo efeito de enumeração extensa, insistência ou lentidão rítmica. O assíndeto é o oposto: a omissão das conjunções em enumerações, produzindo efeito de rapidez, dinamismo ou acúmulo brusco.

Exemplo de polissíndeto: “E chora, e geme, e range, e grita, e implora.” — a repetição de “e” dá peso e progressão à sequência.

Exemplo de assíndeto: “Vim, vi, venci.” (Júlio César) — a ausência de conjunções transmite rapidez e determinação.

Figuras de pensamento

As figuras de pensamento atuam sobre o conteúdo semântico e pragmático do texto, expressando ideias por meio de recursos como o contraste, o exagero, a atenuação, a personificação ou a inversão de sentido.

Ironia

A ironia consiste em dizer o contrário do que se quer significar, com intenção crítica, humorística ou sarcástica. O sentido irônico geralmente se revela pelo contexto, pelo tom ou por elementos extralinguísticos.

Exemplo: “Que governo competente! As ruas estão cheias de buracos, os hospitais fechados e o metrô nunca funciona.” — o elogio aparente é, na verdade, uma crítica contundente.

Eufemismo

O eufemismo consiste em substituir uma expressão direta e impactante por outra mais suave, amena ou socialmente aceita. É muito usado para falar de morte, doenças, demissão ou situações constrangedoras.

Exemplos:

  • “Ele nos deixou.” (em vez de “ele morreu”)
  • “O funcionário foi desligado da empresa.” (em vez de “foi demitido”)
  • “Pessoas com necessidades especiais.” (em vez de termos anteriores considerados pejorativos)

Hipérbole

A hipérbole é o exagero intencional e consciente, usado para intensificar uma ideia ou sentimento. Diferente da mentira, a hipérbole não pretende enganar: o interlocutor compreende que se trata de uma amplificação expressiva.

Exemplos:

  • “Já te disse isso um milhão de vezes.”
  • “Estou morrendo de fome.”
  • “Chorei um mar de lágrimas.”

Antítese

A antítese consiste na aproximação de termos ou ideias de sentido oposto, com o objetivo de criar contraste expressivo. Diferente do paradoxo, a antítese não implica contradição lógica — apenas aproxima opostos para realçar o contraste.

Exemplo: “Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos.” (Charles Dickens) — o contraste entre “melhor” e “pior” estabelece a tensão da época descrita.

Gradação (ou clímax e anticlímax)

A gradação consiste na apresentação de ideias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax). No clímax, a intensidade cresce ao longo da enumeração; no anticlímax, decresce.

Exemplo de clímax: “Vim, lutei, venci, reinei.”

Exemplo de anticlímax: “Por um reino, por uma batalha, por um soldado, perdemos tudo.”

Personificação (ou prosopopeia)

A personificação (também chamada prosopopeia) consiste em atribuir características, sentimentos ou ações humanas a seres inanimados, animais ou abstrações.

Exemplos:

  • “O vento sussurrava segredos entre as árvores.”
  • “A morte chegou silenciosa e levou-o.”
  • “O relógio acusou a minha tardança.”

Sinestesia

A sinestesia consiste na fusão de sensações pertencentes a diferentes sentidos (visão, audição, tato, olfato, paladar) em uma única expressão. É um recurso muito explorado na poesia simbolista e modernista.

Exemplos:

  • “Voz macia e perfumada.” — fusão de audição e olfato.
  • “Um silêncio branco pairava sobre o salão.” — fusão de audição e visão.
  • “Aquele azul frio da manhã.” — fusão de visão e tato.

Apóstrofe

A apóstrofe consiste em interpelar ou invocar diretamente um ser (pessoa, divindade, ser inanimado ou abstrato), seja ele presente ou ausente, real ou imaginário. Na análise sintática, o elemento interpelado é chamado de vocativo.

Exemplos:

  • “Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal!” (Fernando Pessoa)
  • “Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus!” (Castro Alves)

Tabela comparativa das figuras de linguagem

Figura Classificação Definição resumida Exemplo
Metáfora Figura de palavras Identificação direta entre dois elementos por semelhança “A vida é uma viagem.”
Metonímia Figura de palavras Substituição por relação de contiguidade “Leu Machado de Assis.” (autor/obra)
Catacrese Figura de palavras Metáfora desgastada pelo uso, incorporada ao vocabulário “Pé da mesa”, “asa da xícara”
Sinédoque Figura de palavras Substituição parte/todo ou singular/plural “O Brasil venceu.” (país/time)
Antonomásia/Perífrase Figura de palavras Substituição do nome próprio por expressão caracterizadora “O Rei do Futebol marcou.”
Elipse Figura de construção Omissão de termo subentendido pelo contexto “Uns ficaram; outros, partiram.”
Zeugma Figura de construção Omissão de termo já expresso anteriormente “Ele prefere churrasco; ela, salada.”
Hipérbato Figura de construção Inversão da ordem direta dos termos da oração “Onde canta o sabiá / Minha terra tem palmeiras.”
Anacoluto Figura de construção Ruptura da estrutura sintática; termo sem função definida “Essa menina, ninguém aguenta ela.”
Pleonasmo literário Figura de construção Repetição intencional para ênfase “Voa, voa, passarinho.”
Polissíndeto Figura de construção Repetição de conjunções para efeito rítmico “E chora, e geme, e grita.”
Assíndeto Figura de construção Omissão de conjunções em enumeração “Vim, vi, venci.”
Ironia Figura de pensamento Dizer o contrário do que se quer significar “Que governo competente!”
Eufemismo Figura de pensamento Substituir expressão impactante por outra mais suave “Ele nos deixou.”
Hipérbole Figura de pensamento Exagero intencional para intensificar ideia “Estou morrendo de fome.”
Antítese Figura de pensamento Aproximação de ideias opostas para criar contraste “O melhor e o pior dos tempos.”
Gradação/Clímax Figura de pensamento Progressão ascendente ou descendente de ideias “Vim, lutei, venci, reinei.”
Personificação Figura de pensamento Atribuir ações ou sentimentos humanos a seres não humanos “O vento sussurrava segredos.”
Sinestesia Figura de pensamento Fusão de sensações de sentidos diferentes “Voz macia e perfumada.”
Apóstrofe Figura de pensamento Interpelação direta a ser presente, ausente ou abstrato “Ó mar salgado, quanto do teu sal…”

Armadilhas frequentes em prova

1. Catacrese x metáfora: quando o desvio já não é mais percebido

Uma das maiores fontes de erro em prova é a distinção entre catacrese e metáfora. Ambas envolvem o uso de um termo em sentido diferente do original por semelhança; a diferença está no grau de consciência do falante. Na metáfora, o usuário percebe a equivalência inusitada entre os dois elementos — há criatividade e impacto. Na catacrese, o uso se tornou tão corrente que o falante não percebe mais nenhum desvio. “Pé da mesa” é catacrese porque ninguém mais pensa em pernas humanas ao dizer isso; é apenas o nome comum daquela parte do móvel. Em provas, a banca pode apresentar “pé da mesa” e perguntar se é metáfora — a resposta correta é catacrese (metáfora desgastada). Atenção: se a expressão causar estranhamento ou impacto expressivo, é metáfora; se for uso corrente e automatizado, é catacrese.

2. Metonímia x sinédoque: parte/todo ou contiguidade?

Muitas bancas tratam sinédoque como um subtipo de metonímia, o que torna a distinção entre elas uma armadilha clássica. A sinédoque envolve relações quantitativas (parte/todo, singular/plural, espécie/gênero). A metonímia, em sentido restrito, envolve relações qualitativas de contiguidade (causa/efeito, autor/obra, continente/conteúdo, instrumento/agente). Exemplo: “O Brasil venceu” pode ser analisado como sinédoque (o todo — país — pela parte — a seleção) ou como metonímia (continente pelo conteúdo). Em provas que adotam gramáticas como a de Bechara ou Cunha e Cintra, a sinédoque é tratada como subtipo de metonímia. Verifique sempre qual gramática a banca adota — mas, em geral, responda “metonímia” como o conceito mais amplo quando não houver distinção clara na questão.

3. Hipérbole x ironia: exagero sério x exagero crítico

A hipérbole exagera para intensificar uma ideia genuinamente expressa. A ironia pode também exagerar, mas com inversão de sentido: o que é dito é o oposto do que se quer comunicar. “Esse rapaz é o maior gênio que já vi!” pode ser hipérbole (elogio exagerado) ou ironia (crítica velada), dependendo do contexto. Em provas, o contexto é sempre o elemento decisivo para distinguir as duas figuras. Leia o fragmento completo antes de responder.

4. Antítese x paradoxo: contraste x contradição

A antítese aproxima termos de sentido oposto sem gerar contradição lógica: “amor e ódio”, “vida e morte” são opostos que podem coexistir. O paradoxo, por outro lado, apresenta uma afirmação que parece logicamente impossível ou contraditória, mas encerra uma verdade profunda. “Morro porque não morro” (Santa Teresa de Ávila) é paradoxo, pois implica que a vida espiritual é uma morte para o mundo. Essa distinção é cobrada com frequência em bancas como CESPE e FCC.

Questões comentadas de concurso

Questão 1 — CESPE/Cebraspe

Texto: “O navio cortou as águas do Atlântico com precisão cirúrgica.”

Enunciado: Identifique a figura de linguagem presente na expressão “cortou as águas”.

Gabarito comentado: Trata-se de uma metáfora. O verbo “cortar” é usado em sentido conotativo, atribuindo ao navio uma ação que pertence, em sentido literal, a objetos cortantes como facas e bisturis. A semelhança está no movimento de divisão ou fendimento de algo. Note que a expressão ainda causa impacto expressivo — logo, não é catacrese, pois o desvio ainda é percebido pelo leitor. A expressão “precisão cirúrgica”, por sua vez, também é metáfora (comparação implícita entre a navegação e uma cirurgia), e não metonímia ou sinédoque.

Questão 2 — FCC

Texto: “Ela tocou um Chopin maravilhoso na noite de gala.”

Enunciado: O nome “Chopin” foi empregado, no trecho acima, como figura de linguagem. Assinale a alternativa que indica corretamente qual figura ocorre e explica o mecanismo de substituição.

Gabarito comentado: A figura é a metonímia, especificamente a substituição do autor pela obra. “Chopin” (nome do compositor) foi usado no lugar de “uma peça musical de Chopin” ou “uma composição de Chopin”. Trata-se de uma relação de contiguidade — compositor e obra são elementos distintos, mas estreitamente associados. Não se trata de sinédoque, pois não há relação parte/todo; e não é metáfora, pois não há semelhança entre os termos, mas sim associação factual.

Questão 3 — VUNESP

Texto: “Ele chegou, viu, conquistou. Não houve hesitação, nem recuo, nem derrota.”

Enunciado: Nas orações “Ele chegou, viu, conquistou”, identifique a figura de construção presente e indique o efeito expressivo produzido.

Gabarito comentado: A figura é o assíndeto, caracterizado pela ausência das conjunções coordenativas entre os verbos da enumeração. Em vez de “Ele chegou, viu e conquistou”, a supressão do “e” produz efeito de rapidez, sucessão imediata e determinação. Já a segunda frase — “Não houve hesitação, nem recuo, nem derrota” — apresenta a figura oposta, o polissíndeto, com a repetição de “nem” reforçando a ideia de negação absoluta e categoricidade. A contraposição entre as duas figuras é intencional e amplifica o impacto do texto.

Questão 4 — CESGRANRIO

Texto: “A morte chegou sorrateira e levou o velho general sem que ele pudesse se despedir dos filhos.”

Enunciado: Assinale a figura de linguagem predominante no trecho acima.

Gabarito comentado: A figura predominante é a personificação (ou prosopopeia). A morte, ser abstrato e inanimado, é apresentada como um agente com características humanas: “chegou sorrateira” e “levou” — ações tipicamente humanas. Essa personificação é reforçada pelo advérbio “sorrateira”, que atribui à morte uma intenção e um comportamento furtivo. Atenção: em questões desse tipo, a banca pode oferecer “metáfora” como alternativa distratora — mas metáfora exigiria a identificação direta entre dois elementos por semelhança, enquanto aqui o que ocorre é a atribuição de atributos humanos a um ser abstrato, o que caracteriza a personificação.

Como estudar figuras de linguagem para a prova

A melhor estratégia para dominar figuras de linguagem em concursos é treinar a identificação em textos reais, não apenas decorar definições isoladas. Leia fragmentos literários, textos jornalísticos e enunciados de questões anteriores, identificando as figuras presentes e justificando a escolha. Preste atenção especial às figuras que a banca do seu concurso costuma cobrar — CESPE tende a privilegiar questões de interpretação com figuras em contexto; FCC frequentemente testa a identificação direta de nomenclaturas; VUNESP valoriza o efeito expressivo produzido.

Além disso, atente para as armadilhas já mencionadas neste artigo: a distinção catacrese/metáfora, metonímia/sinédoque e antítese/paradoxo são os pontos mais recorrentes de erro entre candidatos que estudaram o conteúdo mas não treinaram sua aplicação em questões. Revisar este material com foco nas questões comentadas e na tabela comparativa é uma forma eficiente de consolidar o aprendizado antes da prova.

PALAVRAS: 2380

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