O estudo do período composto é um dos pilares da sintaxe cobrados em concursos públicos. Compreender a diferença entre coordenação e subordinação — e identificar com precisão o tipo de relação entre as orações — é habilidade diretamente exigida pelas principais bancas, incluindo CESPE/Cebraspe, FCC, VUNESP, FGV e CESGRANRIO. Este resumo apresenta os conceitos fundamentais, os tipos de orações coordenadas e subordinadas, a tabela comparativa, as principais armadilhas de prova e questões comentadas.
Período Simples e Período Composto
Antes de tratar da coordenação e da subordinação, é necessário distinguir o período simples do período composto:
- Período simples: contém apenas uma oração — uma única estrutura com verbo ou locução verbal. Ex.: O candidato estudou muito.
- Período composto: contém duas ou mais orações. Ex.: O candidato estudou muito e foi aprovado no concurso.
O período composto pode se organizar por coordenação, por subordinação ou pela combinação de ambos os processos — o que é chamado de período composto misto. A identificação do tipo de relação entre as orações é o foco principal das questões de bancas.
Atenção: uma oração é qualquer estrutura com verbo. Em “O candidato estudou e foi aprovado”, há duas orações: “O candidato estudou” e “[O candidato] foi aprovado”. O sujeito da segunda é oculto (elíptico), mas há duas orações porque há dois verbos com predicações distintas.
Período Composto por Coordenação
No período composto por coordenação, as orações são sintaticamente independentes entre si: cada uma tem seu próprio sujeito e predicado, e nenhuma exerce função sintática dentro da outra. As orações coordenadas se ligam por sentido e podem ou não ser conectadas por conjunção.
Quando há conjunção coordenativa, as orações são chamadas de sindéticas; quando não há conjunção, são chamadas de assindéticas. O critério de independência sintática é o mais importante: uma oração coordenada pode, em tese, ser retirada do período sem destruir a estrutura gramatical da outra.
Orações Coordenadas Assindéticas
São orações coordenadas que se ligam apenas pela pontuação (vírgula, ponto e vírgula), sem conjunção. Ex.: O candidato chegou, entrou na sala, sentou, começou a prova. — Cada oração é independente e poderia funcionar isoladamente como período simples.
Orações Coordenadas Sindéticas e suas Classificações
As orações coordenadas sindéticas são classificadas conforme o valor semântico da conjunção que as introduz:
| Tipo | Valor semântico | Principais conjunções | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Aditiva | Adição, soma de ideias | e, nem, não só…mas também, não apenas…como também | O edital foi publicado e os candidatos se inscreveram. |
| Adversativa | Oposição, contraste | mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto | O candidato estudou muito, mas não foi aprovado. |
| Alternativa | Alternância, exclusão mútua | ou…ou, ora…ora, quer…quer, seja…seja | Ou o servidor comparece ou perde o prazo. |
| Conclusiva | Conclusão, consequência | logo, portanto, por isso, assim, então, por conseguinte | O candidato preencheu todos os requisitos; portanto, foi aprovado. |
| Explicativa | Explicação, justificativa | pois (antes do verbo), porque, que, porquanto | Estude bastante, pois a prova é difícil. |
Destaque: a conjunção “pois” — é coordenativa explicativa quando aparece antes do verbo (“Vá logo, pois já é tarde” = porque já é tarde). Quando aparece depois do verbo, é coordenativa conclusiva e equivale a “portanto” (“Estudou muito; foi aprovado, pois”). Essa distinção é uma das mais cobradas pelas bancas CESPE e FCC.
Destaque: a conjunção “que” pode ser coordenativa explicativa em construções como “Corra, que o trem está saindo” (= porque o trem está saindo). Não confundir com o “que” subordinativo integrante ou com o pronome relativo.
Período Composto por Subordinação
No período composto por subordinação, uma oração (chamada oração subordinada) exerce função sintática dentro de outra oração (chamada oração principal). A oração subordinada é, portanto, sintaticamente dependente da principal e não pode existir de forma autônoma sem perda de sentido e função.
O candidato sabe que a prova exigirá atenção. — a oração subordinada “que a prova exigirá atenção” funciona como objeto direto de “sabe”. Se removida, a frase fica incompleta: “O candidato sabe…” — falta o complemento.
As orações subordinadas se dividem em três grandes classes, conforme a função que exercem:
- Subordinadas substantivas: exercem funções típicas de substantivo (sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, aposto, complemento nominal). Introduzidas por conjunções integrantes “que” e “se”.
- Subordinadas adjetivas: exercem função de adjunto adnominal (restritiva) ou aposto (explicativa). Introduzidas por pronomes relativos.
- Subordinadas adverbiais: exercem função de adjunto adverbial, expressando circunstâncias como causa, condição, concessão, tempo, finalidade, comparação, proporção etc.
Oração Principal vs. Oração Subordinada — Como Distinguir
O critério fundamental é identificar qual oração depende sintaticamente da outra. A oração subordinada:
- Pode ser substituída por um pronome ou substantivo (no caso das substantivas). Ex.: “O candidato sabe isso.”
- É introduzida por conjunção subordinativa, pronome relativo ou é reduzida (infinitivo, gerúndio, particípio).
- Exerce uma função sintática dentro da oração principal.
- Não faz sentido completo sozinha, fora do contexto da principal.
A oração principal, por sua vez, é aquela que contém o verbo principal da predicação e da qual a subordinada depende. Atenção: a oração principal não precisa vir antes da subordinada no texto.
Embora o candidato estivesse bem preparado, não conseguiu a vaga. — a oração principal é “não conseguiu a vaga”; a subordinada adverbial concessiva vem primeiro. Bancas exploram essa inversão para confundir o candidato.
Coordenação x Subordinação — Diferenças Fundamentais
| Característica | Coordenação | Subordinação |
|---|---|---|
| Independência sintática | Sim — orações independentes | Não — uma depende da outra |
| Função sintática | Nenhuma oração é termo da outra | A subordinada exerce função na principal |
| Conectivos típicos | Conjunções coordenativas (e, mas, ou, logo, pois) | Conjunções subordinativas, pronomes relativos |
| Possibilidade de isolamento | Cada oração pode subsistir sozinha | A subordinada não faz sentido sozinha |
| Substituição por pronome | Não | Sim (nas substantivas) |
| Exemplo | O servidor trabalhou e foi reconhecido. | O servidor espera que seja reconhecido. |
Tipos de Orações Subordinadas Adverbiais
As orações subordinadas adverbiais que mais aparecem em provas de concurso são as causais, concessivas e condicionais — pois são facilmente confundidas entre si. A tabela a seguir resume os principais tipos com seus conectivos e as relações semânticas correspondentes:
| Tipo | Conectivos Principais | Relação Semântica | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Causal | porque, já que, visto que, como, uma vez que | Exprime a causa da ação principal | Porque chegou atrasado, perdeu a vaga. |
| Concessiva | embora, ainda que, mesmo que, conquanto, posto que | Exprime oposição que não impede o fato principal | Embora fosse competente, não foi aprovado. |
| Condicional | se, caso, desde que, contanto que, salvo se | Exprime condição ou hipótese para o fato principal | Se estudar bastante, será aprovado. |
| Final | para que, a fim de que | Exprime a finalidade, o objetivo | Estudo para que seja aprovado. |
| Temporal | quando, enquanto, assim que, logo que, depois que | Indica tempo em relação ao fato principal | Quando o gabarito saiu, comemoramos. |
| Consecutiva | tão…que, tanto…que, de forma que | Exprime a consequência do fato principal | Estudou tanto que adoeceu. |
| Proporcional | à medida que, ao passo que, quanto mais…mais | Indica proporção entre os fatos | À medida que estudava, melhorava. |
| Comparativa | como, assim como, mais…do que, menos…do que | Estabelece comparação com o fato principal | Correu mais do que o esperado. |
| Conformativa | conforme, segundo, consoante, como (=conforme) | Indica conformidade com o fato principal | Fez conforme o edital determinava. |
Orações Reduzidas
As orações reduzidas são orações subordinadas cujo verbo está em uma forma nominal (infinitivo, gerúndio ou particípio), sem conjunção subordinativa nem pronome relativo expresso. Apesar de não terem conjunção, exercem as mesmas funções das orações subordinadas desenvolvidas.
Exemplos com equivalência desenvolvida:
- Estudar é fundamental. = Que se estude é fundamental. — reduzida de infinitivo; subordinada substantiva subjetiva.
- Vi o candidato saindo da sala. = Vi o candidato quando ele saía da sala. — reduzida de gerúndio; subordinada adverbial temporal.
- Aprovado na prova, o candidato comemorou. = Depois que foi aprovado na prova, o candidato comemorou. — reduzida de particípio; subordinada adverbial temporal.
As bancas cobram a identificação e classificação das orações reduzidas com a mesma profundidade das orações desenvolvidas.
Principais Armadilhas em Prova
1. “Mas” x “porque”. “Mas” é coordenativa adversativa; “porque” é subordinativa causal. Bancas testam se o candidato confunde a coordenada adversativa com a subordinada adverbial causal, pedindo se a substituição mantém o sentido.
2. A conjunção “que” é polissêmica. Pode ser: coordenativa explicativa (“Fique quieto, que a banca está observando”), subordinativa integrante/substantiva (“Espero que você passe”), ou pronome relativo/adjetiva (“O candidato que estudou passou”). O contexto e a função sintática determinam a classificação.
3. Coordenadas conclusivas x subordinadas adverbiais consecutivas. “Portanto/logo” introduzem coordenadas conclusivas (enunciam uma conclusão de forma independente). “De modo que / tanto que / de forma que” introduzem consecutivas subordinadas (há dependência sintática). A diferença está na natureza da relação.
4. Oração intercalada (parentética). Expressões como “disse o servidor” ou “afirmou a banca” inseridas entre vírgulas ou travessões são orações coordenadas assindéticas intercaladas, não subordinadas.
5. Orações sem conjunção não são sempre assindéticas. Orações reduzidas são subordinadas mesmo sem conjunção. O critério não é a presença de conjunção, mas a dependência sintática.
6. “Embora” vs. “porque”. “Embora” é concessivo (subordinada que indica oposição não impeditiva). “Porque” é causal (subordinada que indica a causa). Trocar um pelo outro muda o sentido da frase — bancas pedem se a substituição é possível sem prejuízo semântico.
Questões Comentadas
Questão 1 — CESPE/Cebraspe
“O candidato entregou os documentos, pois sabia que o prazo se encerraria naquele dia.”
A oração introduzida por “pois” é classificada como oração coordenada sindética explicativa ou subordinada adverbial causal?
Gabarito: Coordenada sindética explicativa. “Pois” aparece antes do verbo “sabia”, com valor de “porque/visto que”, introduzindo uma justificativa para a ação expressa na oração anterior. Trata-se de coordenada explicativa. Se fosse “porque”, o raciocínio seria o mesmo, mas “porque” é classificado como subordinativa causal. A distinção entre “pois” explicativo e “porque” causal é tema recorrente — a posição do “pois” em relação ao verbo é o critério.
Questão 2 — FCC
“Ou o servidor cumpre o prazo determinado em edital, ou será instaurado processo administrativo.”
A relação semântica é de: a) adição b) conclusão c) alternância d) oposição
Gabarito: c) alternância. A conjunção “ou…ou” (correlativa alternativa) indica que apenas uma das situações se realizará, estabelecendo relação de alternância/exclusão mútua. Oração coordenada sindética alternativa.
Questão 3 — VUNESP
“A banca divulgou o gabarito e os candidatos começaram a calcular a nota, porém muitos não entenderam os critérios adotados.”
Quantas orações há no período e qual é a natureza das relações?
Gabarito: Três orações, todas coordenadas: (1) “A banca divulgou o gabarito” — assindética ou principal; (2) “os candidatos começaram a calcular a nota” — sindética aditiva (introduzida por “e”); (3) “muitos não entenderam os critérios adotados” — sindética adversativa (introduzida por “porém”). Não há relação de subordinação, pois nenhuma oração exerce função sintática dentro de outra.
Questão 4 — CESGRANRIO
“O concurso foi adiado porque a banca não concluiu a elaboração das questões.”
A oração “porque a banca não concluiu a elaboração das questões” é:
a) coordenada sindética explicativa b) subordinada adverbial causal c) coordenada sindética conclusiva d) subordinada adverbial concessiva
Gabarito: b) subordinada adverbial causal. “Porque” aqui introduz uma oração subordinada adverbial causal: a oração expressa a causa do adiamento e exerce função de adjunto adverbial de causa na oração principal. Há dependência sintática. Não se confunde com a coordenada explicativa, que é independente e introduzida por “pois” (antes do verbo) ou “que”.
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