O adjetivo é uma das classes gramaticais mais cobradas em provas de concursos públicos, especialmente nas disciplinas de Língua Portuguesa. Trata-se da palavra que atribui qualidade, estado, característica, aparência ou condição a um substantivo. Conhecer suas classificações, flexões e regras de concordância é indispensável para quem deseja se destacar nas questões de gramática e também para redigir com precisão textos dissertativos exigidos em certames de maior complexidade. Neste artigo, você encontrará um panorama completo sobre o tema, com exemplos práticos e questões comentadas no estilo cobrado em concursos.
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📌 O que é o Adjetivo?
O adjetivo é a classe de palavras que modifica o substantivo, atribuindo-lhe uma qualidade, um estado, uma origem, uma aparência ou qualquer outra característica. Diferentemente do substantivo, que nomeia seres, e do verbo, que expressa ação ou estado de forma predicativa, o adjetivo funciona como um qualificador: ele acrescenta informação ao substantivo, tornando o enunciado mais preciso e expressivo.
Em termos sintáticos, o adjetivo pode exercer a função de adjunto adnominal (quando acompanha diretamente o substantivo: “uma candidata capaz”) ou de predicativo (quando, ligado ao substantivo por um verbo de ligação, atribui-lhe uma qualidade: “A candidata é capaz”). Essa distinção é frequentemente explorada em provas de análise sintática, por isso vale reforçá-la desde já.
🧠 Classificação dos Adjetivos
Adjetivo Simples e Adjetivo Composto
O adjetivo simples é formado por um único radical: bonito, alto, azul, feliz. Já o adjetivo composto é formado pela junção de dois ou mais radicais, normalmente com hífen: luso-brasileiro, político-econômico, surdo-mudo, verde-escuro. Esse tipo de adjetivo merece atenção especial quanto às regras de plural, conforme veremos adiante.
Adjetivo Primitivo e Adjetivo Derivado
O adjetivo primitivo não deriva de outro vocábulo da língua portuguesa: bom, mau, belo, triste. Por sua vez, o adjetivo derivado é formado a partir de outro vocábulo, geralmente por meio de sufixos: bondoso (de bondade), amoroso (de amor), saudável (de saúde), perigoso (de perigo). Provas de morfologia costumam solicitar a identificação desses processos de formação de palavras.
Adjetivos Pátrios ou Gentílicos
Os adjetivos pátrios — também chamados de gentílicos — indicam a naturalidade, a procedência ou a nacionalidade do ser. São exemplos: paulista (de São Paulo), carioca (do Rio de Janeiro), gaúcho (do Rio Grande do Sul), francês (da França), japonês (do Japão), norte-americano (dos Estados Unidos). Esses adjetivos podem também ser substantivados quando se referem diretamente ao habitante: “Os cariocas são hospitaleiros.”
🔄 Flexão do Adjetivo
Flexão de Gênero
O adjetivo concorda em gênero com o substantivo que qualifica. A formação do feminino obedece a diferentes regras conforme a terminação do adjetivo:
- Terminados em -o: troca-se o -o por -a. Ex.: bonito → bonita, alto → alta, lindo → linda.
- Terminados em -ão: em geral, formam o feminino em -ã ou -ona. Ex.: cristão → cristã, mandão → mandona, alemão → alemã.
- Terminados em -or: acrescenta-se -a ao radical. Ex.: trabalhador → trabalhadora, encantador → encantadora. Exceto: maior, menor, melhor, pior — que são invariáveis quanto ao gênero.
- Terminados em -ês: acrescenta-se -a e suprime-se o acento. Ex.: francês → francesa, português → portuguesa.
- Adjetivos invariáveis (mesma forma para os dois gêneros): azul, simples, feliz, capaz, comum, frágil, fácil.
- Adjetivos de dois gêneros distintos (heterônimos — o feminino não é formado por sufixo, é outra palavra): bom/boa, mau/má.
Flexão de Número
A formação do plural dos adjetivos simples segue as mesmas regras dos substantivos, mas atenção: não é uma regra única, são regras diferentes por terminação.
- Terminados em vogal ou ditongo oral: acrescenta-se -s. Ex.: bonito → bonitos.
- Terminados em -z, -r: acrescenta-se -es. Ex.: feliz → felizes, regular → regulares.
- Terminados em -l: troca-se o -l por -is (não é a mesma regra do “-es” acima). Ex.: azul → azuis.
- Terminados em -m: troca-se por -ns. Ex.: comum → comuns, ruim → ruins.
- Terminados em -ão: substituição por -ões, -ães ou -ãos, dependendo do caso (mesmo padrão dos substantivos).
Nos adjetivos compostos por dois adjetivos comuns (não relacionados a cor), a regra depende do tipo de composição:
- luso-brasileiro → luso-brasileiros: o primeiro elemento tem valor reduzido/relacional (como em ítalo-, afro-), fica invariável, e só o último flexiona.
- surdo-mudo → surdos-mudos: os dois elementos são adjetivos plenos e coequivalentes, e ambos flexionam.
Já nos adjetivos compostos de cor, a regra é diferente e é a que mais gera confusão em prova:
- Segundo elemento é substantivo que dá nome à cor: composto invariável. Ex.: azul-marinho, verde-oliva, rosa-choque (permanecem assim no plural, sem nenhuma flexão).
- Segundo elemento é adjetivo indicando tom/matiz (claro, escuro): composto também invariável. Ex.: verde-escuro, azul-claro (idem, sem flexão no plural).
- Dois adjetivos de cores distintas (mistura real de duas cores): só o último elemento flexiona. Ex.: verde-amarelo → verde-amarelas (bandeiras verde-amarelas).
Atenção especial: quando o primeiro elemento do adjetivo composto de cor for cor de, a expressão toda fica invariável: camisa cor de vinho → camisas cor de vinho.
Flexão de Grau
O grau do adjetivo expressa a intensidade da qualidade atribuída ao ser. Divide-se em comparativo e superlativo.
Grau Comparativo — estabelece comparação entre dois seres ou entre qualidades de um mesmo ser:
- Igualdade: “Pedro é tão dedicado quanto Maria.”
- Superioridade analítica: “Pedro é mais dedicado do que Maria.”
- Superioridade sintética (irregular): “Este resultado é superior ao esperado.”
- Inferioridade: “Pedro é menos dedicado do que Maria.”
Grau Superlativo — expressa a qualidade em grau máximo, sem ou com referência a um grupo:
- Absoluto analítico: usa o advérbio muito + adjetivo. Ex.: “muito bonito.”
- Absoluto sintético: usa sufixo. Ex.: belíssimo, fortíssimo, fidelíssimo.
- Relativo de superioridade: “o mais bonito da turma.”
- Relativo de inferioridade: “o menos bonito da turma.”
Graus irregulares mais cobrados:
- bom → comparativo: melhor; superlativo relativo: o melhor; superlativo absoluto: ótimo.
- mau → comparativo: pior; superlativo relativo: o pior; superlativo absoluto: péssimo.
- grande → comparativo: maior; superlativo relativo: o maior; superlativo absoluto: máximo.
- pequeno → comparativo: menor; superlativo relativo: o menor; superlativo absoluto: mínimo.
- alto → comparativo: superior; superlativo relativo: o superior; superlativo absoluto: supremo/sumo.
- baixo → comparativo: inferior; superlativo relativo: o inferior; superlativo absoluto: ínfimo.
Vale observar que as formas regulares também são aceitas pela norma-padrão. Assim, “mais bom”, “mais mau”, “mais grande” e “mais pequeno” podem ser usadas em contextos específicos. As formas irregulares, porém, são preferenciais e mais cobradas em prova.
🔗 Locuções Adjetivas
A locução adjetiva é um grupo de palavras — normalmente formado por preposição + substantivo — que exerce a mesma função de um adjetivo. É comum ter que identificar o adjetivo correspondente a uma locução adjetiva ou vice-versa. Veja os exemplos mais recorrentes em prova:
- de ouro = áureo / dourado
- de ferro = férreo
- de pedra = pétreo / lapídeo
- de leite = lácteo
- de coração = cardíaco
- de rei = régio
- de cavalo = equino / equestre
- de olho = ocular / oftálmico
- de criança = pueril / infantil
- de lobo = lupino
A locução adjetiva é importante não apenas para provas de substituição lexical, mas também para a compreensão textual: ao identificar que “crise de caráter renal” equivale a “crise renal”, o candidato demonstra domínio do sistema de equivalências morfológicas da língua.
🧩 Adjetivo Substantivado
O adjetivo pode ser substantivado quando passa a exercer a função típica de um substantivo. Isso ocorre, geralmente, quando o substantivo ao qual o adjetivo se referia é suprimido do contexto, ficando o adjetivo como núcleo do grupo nominal. Observe:
- “Os pobres precisam de atenção.” (pobres = as pessoas pobres)
- “O belo é subjetivo.” (o belo = a beleza)
- “Os jovens têm muito a contribuir.” (jovens = as pessoas jovens)
Em geral, a substantivação é marcada pelo uso do artigo antes do adjetivo. Essa operação é extremamente produtiva na língua portuguesa e aparece com frequência em questões de análise morfológica e sintática.
📍 Posição do Adjetivo: Antes ou Depois do Substantivo
A posição do adjetivo em relação ao substantivo pode alterar significativamente o sentido da expressão. Quando o adjetivo vem após o substantivo (posposição), tende a ter sentido mais objetivo, denotativo. Quando vem antes (anteposição), o sentido costuma ser mais subjetivo, emotivo ou figurado. Compare:
- homem grande (de estatura elevada, sentido físico) × grande homem (de espírito elevado, sentido moral)
- mulher pobre (sem recursos financeiros) × pobre mulher (digna de pena, sentido emotivo)
- notícia certa (confirmada, verídica) × certa notícia (uma determinada notícia)
- velho amigo (amigo de longa data) × amigo velho (amigo de idade avançada)
Provas de interpretação de texto e de semântica exploram frequentemente essa distinção, pedindo para perceber de que modo a posição do adjetivo modifica o efeito de sentido pretendido pelo autor.
✅ Concordância do Adjetivo
As regras de concordância do adjetivo com o substantivo seguem princípios estabelecidos pela gramática normativa e são amplamente cobradas em concursos.
- Com um único substantivo: o adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo que qualifica. Ex.: “As alunas dedicadas foram aprovadas.”
- Com dois ou mais substantivos do mesmo gênero: o adjetivo vai ao plural daquele gênero. Ex.: “O aluno e o professor estavam animados.” / “A aluna e a professora estavam animadas.”
- Com dois ou mais substantivos de gêneros diferentes: se o adjetivo vem posposto, vai obrigatoriamente ao masculino plural — “O aluno e a professora estavam animados.” Se vem anteposto, pode concordar só com o mais próximo (concordância por atração) — “Comprei linda roupa e sapato” (linda concorda só com roupa).
⚠️ Erros Clássicos em Prova
1. Plural de Adjetivo Composto de Cor
O erro mais frequente é achar que todo composto de cor pluraliza normalmente. Na verdade, quando o segundo elemento é substantivo (azul-marinho, rosa-choque) ou indica tom (verde-claro, azul-escuro), o composto inteiro fica invariável — nem “azuis-marinhos”, nem “verdes-claros”. Só flexiona quando os dois elementos são cores distintas de verdade, e mesmo assim só o último: verde-amarelas (bandeiras do Brasil). É comum aparecer “azuis-marinhas” ou “verdes-claros” como alternativa incorreta.
2. Superlativo de “bom” e “mau”
Muitos candidatos escrevem “boníssimo” como superlativo de bom, quando a forma consagrada pela norma culta é ótimo. Da mesma forma, o superlativo de mau é péssimo, e não “malíssimo” — embora esta última forma também seja aceita em contextos informais. Em provas, a forma sintética irregular (ótimo, péssimo) é a esperada como resposta correta.
3. Concordância com Múltiplos Substantivos
Questões de concordância com dois substantivos de gêneros diferentes costumam induzir ao erro. Quando o adjetivo está posposto a um substantivo masculino e a um substantivo feminino, ele deve ir ao masculino plural: “O garoto e a garota eram estudiosos.” A concordância com apenas o mais próximo (“O garoto e a garota eram estudiosa”) é considerada erro quando o adjetivo vem depois de ambos os substantivos.
📝 Questões Comentadas
Questão 1
Enunciado: “No trecho ‘O servidor público é responsável pelo zelo dos bens estatais’, a palavra ‘responsável’ exerce a função de predicativo do sujeito e é um adjetivo invariável quanto ao gênero.”
Comentário: a afirmativa está correta. “Responsável” é adjetivo de forma única para os dois gêneros (invariável em gênero), e, nesse contexto, é ligado ao sujeito “O servidor público” pelo verbo de ligação “é”, exercendo a função de predicativo do sujeito.
Gabarito: Certo.
Questão 2
Enunciado: Assinale a alternativa em que o adjetivo composto de cor está corretamente flexionado no plural.
(A) ternos azul-marinho
(B) camisas rosa-choques
(C) bandeiras verde-amarelo
(D) blusas amarelo-canárias
(E) meias azuis-marinho
(A) correta. Em “azul-marinho”, o segundo elemento é um substantivo que dá nome à cor — o composto fica invariável, sem nenhuma flexão no plural.
(B) incorreta. “Rosa-choque” tem o mesmo motivo de invariabilidade (segundo elemento substantivo) — flexionar é erro.
(C) incorreta, mas pelo motivo oposto: “verde-amarelo” combina duas cores distintas de verdade, então deveria flexionar o último elemento (“verde-amarelas”), não ficar invariável.
(D) incorreta. “Amarelo-canário” também é substantivo no segundo elemento — deveria ficar invariável, não “amarelo-canárias”.
(E) incorreta. Flexiona o elemento errado — deveria ser “azul-marinho”, sem nenhuma flexão, não “azuis-marinho”.
Gabarito: (A).
Questão 3
Enunciado: “Os candidatos e as candidatas foram considerados aptos para o cargo.” Sobre a concordância do adjetivo em destaque, é correto afirmar que:
(A) Está incorreta, pois deveria concordar com o substantivo mais próximo.
(B) Está correta, pois com substantivos de gêneros diferentes o adjetivo posposto vai ao masculino plural.
(C) Está incorreta, pois deveria estar no feminino plural.
(D) Está correta, pois o adjetivo concorda sempre com o substantivo masculino.
(E) Está incorreta, pois o adjetivo deveria ser invariável.
(B) correta. Quando há dois substantivos de gêneros diferentes e o adjetivo vem posposto a eles, a regra é que o adjetivo vá ao masculino plural, independentemente da ordem dos substantivos.
(A), (C), (D) e (E) incorretas. Todas apresentam informações equivocadas sobre as regras de concordância — a concordância por atração só vale quando o adjetivo vem antes dos substantivos, não depois.
Gabarito: (B).
Questão 4
Enunciado: Indique a frase em que a locução adjetiva está corretamente substituída pelo adjetivo equivalente.
(A) “problema de coração” = cardíaco
(B) “luz de lua” = lunar
(C) “crise de nervo” = nervoso
(D) “instinto de lobo” = lupino
(E) Todas as anteriores estão corretas.
(E) correta. Todas as substituições apresentadas são válidas pela gramática normativa: “cardíaco” equivale a “de coração”, “lunar” a “de lua”, “nervoso” a “de nervo”, e “lupino” a “de lobo”.
Gabarito: (E).
🎯 Considerações Finais
O domínio do adjetivo em toda a sua extensão — classificação, flexão, concordância e posição — é um diferencial significativo para o candidato a concursos públicos. Os pontos de irregularidade (graus irregulares, adjetivos compostos de cor, formas de superlativo) e a concordância com múltiplos substantivos são os mais cobrados em prova.
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